Economia

CONTAS PÚBLICAS

Secretário explica como investimentos influenciam resultado fiscal do Piauí

Em entrevista ao Portal Piauí Hoje, Emílio Júnior diferenciou o superávit orçamentário de R$ 1,7 bilhão do resultado primário e explicou a relação com as operações de crédito.

Da Redação

06 de novembro de 2026 às 13:50 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • O Piauí registrou um superávit orçamentário de R$ 1,7 bilhão entre janeiro e agosto de 2026.
  • Esse superávit não significa que o valor estará disponível nos cofres do estado.
  • O secretário da Fazenda explicou que há diferenças entre o resultado orçamentário e o resultado primário devido a metodologias distintas.
  • O resultado orçamentário é a diferença entre receitas e despesas gerais, enquanto o primário não considera juros da dívida.
  • O Estado teve receitas de R$ 22,19 bilhões e despesas de R$ 20,46 bilhões, resultando no superávit.
  • O resultado primário estava positivo em R$ 169 milhões, apesar da previsão de déficit anual de R$ 535 milhões.
  • Empréstimos para investimentos impactam o resultado primário, diferindo do orçamentário.
  • O Estado deve demonstrar capacidade de pagamento para obter autorizações de crédito.
  • As receitas cresceram 34,07% em 2026 em relação a 2025, e as despesas cresceram 25,06%.
  • O resultado orçamentário positivo aumentou significativamente de 2025 para 2026.
  • O resultado primário passou de um déficit em 2025 para um superávit em 2026.

Piauí Hoje O secretário da Fazenda do Piauí, Emílio Júnior
O secretário da Fazenda do Piauí, Emílio Júnior

O superávit orçamentário de R$ 1,7 bilhão registrado pelo Piauí entre janeiro e agosto de 2026 não significa, necessariamente, que esse valor ficará disponível nos cofres estaduais. A diferença entre esse resultado e o resultado primário foi explicada pelo secretário da Fazenda, Emílio Júnior, durante entrevista ao podcast Bate-Papo com Notícia, do Portal Piauí Hoje.

Na conversa, o secretário destacou que as contas públicas são acompanhadas por diferentes indicadores, entre eles o resultado orçamentário e o resultado primário. Embora estejam relacionados à situação fiscal do Estado, eles possuem metodologias diferentes e não devem ser interpretados como se fossem um único saldo.

O resultado orçamentário considera a diferença entre as receitas e as despesas do Estado. Já o resultado primário compara as receitas e despesas primárias, sem considerar os juros da dívida pública. Por isso, os dois indicadores podem apresentar números diferentes no mesmo período.

Segundo o balanço do segundo quadrimestre apresentado à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), as receitas estaduais somaram R$ 22,19 bilhões entre janeiro e agosto, enquanto as despesas liquidadas chegaram a R$ 20,46 bilhões. A diferença resultou em um superávit orçamentário de R$ 1,74 bilhão.

Emílio explicou que o resultado positivo registrado até agosto não representa uma garantia de que o Estado encerrará o ano com o mesmo desempenho. Na entrevista, ele também mencionou que o resultado primário acumulado no período estava positivo em aproximadamente R$ 169 milhões, mas que a meta anual considerada pelo governo previa um déficit de R$ 535 milhões.

Investimentos e operações de crédito

Ao explicar a diferença entre os indicadores, o secretário relacionou o resultado primário à forma como o Estado financia parte dos investimentos. Segundo Emílio, muitas obras são realizadas com recursos de operações de crédito, ou seja, empréstimos contratados pelo governo para financiar investimentos públicos.

Na entrevista, ele explicou que essas operações precisam ser consideradas na análise das contas estaduais. O secretário argumentou que o resultado primário pode apresentar um comportamento diferente do resultado orçamentário porque as receitas e despesas consideradas nesse cálculo seguem critérios próprios.

O secretário ainda destacou que as operações de crédito passam por limites e avaliações da Secretaria do Tesouro Nacional. Segundo ele, o Estado precisa demonstrar capacidade de pagamento para obter autorização e contratar financiamentos.

Receitas cresceram em 2026

O relatório apresentado à Alepi mostrou que as receitas orçamentárias do Piauí cresceram 34,07% em comparação com o mesmo período de 2025. No ano passado, entre janeiro e agosto, o Estado havia arrecadado R$ 16,55 bilhões. Em 2026, o valor chegou a R$ 22,19 bilhões.

As despesas liquidadas também aumentaram, com crescimento de 25,06%, passando de R$ 16,36 bilhões para R$ 20,46 bilhões. Mesmo com a elevação dos gastos, o resultado orçamentário positivo passou de R$ 197,53 milhões, em 2025, para R$ 1,74 bilhão neste ano.

O resultado primário também apresentou mudança em relação ao ano anterior. No segundo quadrimestre de 2025, o indicador registrava déficit de R$ 402,86 milhões. No mesmo período de 2026, passou a apresentar superávit de R$ 169,91 milhões, considerando o cálculo sem o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).


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