TAXAÇÃO
Da Redação
16 de julho de 2026 às 00:06 ▪ Atualizado há 52 minutos
O governo dos Estados Unidos oficializou, mais uma vez, nesta quarta-feira (15) a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros. O presidente Donald Trump acatou recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.
A informação foi confirmada por Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos, em declarações a imprensa. Segundo o auxiliar de Trump, a lista de produtos tarifados será publicada ainda nesta noite. Ele adiantou, porém, que café e carnes - bens de relevância na balança comercial entre o Brasil e os EUA - estarão isentos.
"O presidente tomou a decisão de tomar ação responsiva", disse Greer.
O Representante de Comércio ainda afirmou que os EUA irão rever as ações caso haja retalição do lado brasileiro. "Não é de interesse de ninguém que ocorram retaliações", disse.
Brasil poderá usar Lei da Reprocidade
Anteriormente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que avalia como provável uma retomada no processo da Lei de Reciprocidade caso o novo tarifaço se confirmasse.
"A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade", afirmou.
O novo tarifaço é oriundo de uma investigação do USTR que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou a primeira tarifa de 50% contra o Brasil, em julho de 2025, como punição ao Brasil para atender demandas dos Bolsonaro.
No começo de junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana - ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
O Representante Comercial dos EUA se referiu ao Pix como um "campeão nacional" que "promove condições desleais de competição no comércio eletrônico".
Ao se referir a regimes tarifários preferenciais do Brasil a países como México e Índia, Greer afirmou que os EUA têm interesse de serem incluídos em acordos semelhantes para que os exportadores norte-americanos possam competir em pé de igualdade.
Sobre desmatamento, ele reconheceu que o país mobiliza uma legislação para combater atividade ilegal, mas reiterou que a investigação apurou que a aplicação legal tem falhado. Ademais, sobre etanol, indicou que o Brasil fechou esse mercado para o país.
Segundo a autoridade, a ação de tarifar o país visa "eliminar as práticas desleais de comércio investigadas". O governo brasileiro provou com dados e documentos que o argumento do governo dos EUA eram falsos e sem fundamento na verdade.
Culpados fazem jogo de cena
No início deste mês (07/07) o senador Flávio Bolsonaro (PL) e seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, foram juntos a uma audiência pública nos Estados Unidos para, segundo eles, pedir ao governo americano que adiasse a taxação ao Brasil para depois das eleições, porque, na visão de Flávio, isso iria prejudicar sua campanha a presidente da República.
Ocorre que, no início de 2025, antes desse jogo de cena eleitoral, tanto Flávio Bolsonaro quando o irmão Eduardo se vangloriam em suas redes sociais e na mídia de serem amigos do presidente Trump a quem teriam pedido punição ao Brasil pelo julgamento e posterior condenação e prisão do pai deles, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de estado e outros quatro crimes.
Eduardo Bolsonaro não deixou dúvidas de que teria trabalhado duro para punir o Brasil para prejudicar o Governo Lula. Em várias oportunidades usou suas redes sociais para assumir a responsabilidade pelas punições do governo Donald Trump ao País e algumas autoridades, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha e ministros do STF, principalmente Alexandre de Moraes.
Em agosto de 2025, depois de ampla campanha de Flávio, Eduardo Bolsonaro e outros bolsonaristas como os deputados Nikolas Ferreira e Sóstenes Cavalcante, ambos do PL e bolsonaristas, o presidente dos Estados Unidos impôs um tarifaço de 50% que atingiu quase 4 mil produtos brasileiros. A taxação sobre a maioria dos produtos só foi revertida por negociação direta do presidente Lula e entidades empresariais brasileiras com Trump e o governo dos Estados Unidos.
Fonte: Agências de notícias
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