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ALAGAMENTOS NO PARQUE RODOVIÁRIO

Sete anos após tragédia, 19 famílias estão sem moradia e indenização não cobriu prejuízos

Moradores atingidos por rompimento de lagoa em Teresina ainda aguardam casas prometidas e relatam medo durante o período chuvoso

Por Natalia Costa

Segunda - 13/04/2026 às 11:14



Foto: Reprodução/Piauí Hoje Famílias do Parque Rodoviário ainda aguardam moradias sete anos após tragédia que deixou mortos e destruição na zona Sul de Teresina.
Famílias do Parque Rodoviário ainda aguardam moradias sete anos após tragédia que deixou mortos e destruição na zona Sul de Teresina.

Neste mês de abril, completam-se sete anos do rompimento da lagoa que alagou residências e provocou a morte de duas pessoas no bairro Parque Rodoviário, na zona Sul de Teresina. Mesmo após esse período, 19 famílias ainda aguardam a entrega das moradias prometidas pela Prefeitura de Teresina. As famílias continuam morando de aluguel ou na casa de parentes.

De acordo com o líder comunitário do bairro, Henrique Carneiro, a indenização de R$ 28 mil paga às vítimas foi insuficiente para cobrir os prejuízos, a Prefeitura de Teresina não realiza a manutenção adequada das galerias, o que aumenta o risco de novos alagamentos. Segundo o líder comunitário, os moradores seguem convivendo com o medo sempre que há chuvas fortes na região e que a tragédia foi esquecida pelos gestores públicos.

Líder comunitário do bairro, Henrique Carneiro | Foto: Piauí Hoje

A tragédia foi bem esquecida. Na gestão anterior do prefeito Dr. Pessoa foram feitas unidades habitacionais, só que na gestão do Silvio Mendes a gente não tem nem licitação das próximas unidades habitacionais, que ainda tem famílias para ser remanejadas. São 19 famílias que esperam as casas. Pedimos ao prefeito Silvio Mendes para que ele possa voltar o olhar para cá, para a comunidade do Parque Rodoviário, para que sejam feitas as casas das pessoas.

Já para os moradores, o dia nunca será esquecido e a lembrança que ficou é de destruição, tristeza e injustiça, com perdas de imóveis, vidas e promessas que não foram cumpridas pelo poder público.

Destruição no bairro, após as águas baixarem. | Foto: reprodução

Tragédia poderia ter sido evitada

O caso aconteceu na noite de 4 de abril de 2019, quando a lagoa de um clube desativado transbordou após fortes chuvas e alagou mais de 40 casas no bairro Parque Rodoviário, na zona Sul de Teresina. Uma idosa de 70 anos, Maria das Graças Bacelar de Holanda, e Flávio Josiel Alves da Silva, de apenas 4 anos morreram. Mais de 30 pessoas ficaram feridas e dezenas de famílias perderam tudo. O terreno onde a lagoa transbordou e atingiu as casas era de propriedade da empresa de telefonia Oi.

A casa do Henrique foi uma das atingidas. Ele relatou que sofreu grandes perdas materiais, como roupas, alimentos, televisão e guarda-roupa. O líder comunitário acredita que a tragédia poderia ter sido evitada e que as vidas e as perdas poderiam ter sido preservadas.

"Essa tragédia poderiam ter sido evitada, o clube onde tinha a lagoa estava abandonado por mais de 10 anos, e não teve uma manutenção ou olhar atento da prefeitura. Foi falta de manutenção, foi o clube que foi esquecido, que gerou uma lagoa misteriosa e acabou ocasionando essa enorme tragédia", afirma o líder comunitário.

Lagoa estava abandonado há mais de 10 anos | Foto: reprodução

Indenização insuficiente

A indenização às famílias só foi paga cinco anos após a tragédia. Em 2024, o Ministério Público do Piauí (MPPI) definiu que 72 famílias receberiam R$ 28 mil cada, totalizando cerca de R$ 2 milhões em indenizações. No entanto, segundo o líder comunitário Henrique Carneiro, o valor foi insuficiente para cobrir os prejuízos dos moradores.

Não foi algo suficiente porque tem famílias que são grandes e tiveram perdas enormes. Teve muitas promessas feitas por parte do Poder Público, por parte de várias outras instituições, uma emenda parlamentar por parte da Assembleia, essa emenda nunca chegou até a nós, então estamos aqui ainda praticamente na mesmice e se recuperando com recursos próprios.

Falta de manutenção das galerias

Os moradores reclamam que a Prefeitura de Teresina não realiza a manutenção das galerias, como a limpeza, o que gera entupimentos e provoca alagamentos. O Piauí Hoje entrou em contato com a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU Sul), mas não obteve respostas.

O gerente da Defesa Civil Municipal, Marcos Rolf, afirmou que realiza monitoramento preventivo em toda Teresina, com foco em áreas consideradas de risco, como o bairro Parque Rodoviário.

"O Parque Rodoviário, é um bairro classificado como de alto risco, onde é realizado monitoramento constante. Também lembramos que a população pode ajudar a Defesa Civil em situações de chuvas intensas. Para isso, pedimos que, em casos de emergência ou durante fortes chuvas na região, a população acione o órgão", afirma.

Prejuízo para os moradores depois da tragédia. | Foto: reproduçãoCanais de atendimento em caso de alagamentos

Em casos de emergência, a Defesa Civil do Piauí disponibiliza atendimento 24 horas via WhatsApp pelo número (86) 9 9412-7128. O canal é voltado para orientações, registro de ocorrências e solicitação de apoio, permitindo que a população relate situações de risco e receba o direcionamento adequado da equipe técnica.

A população também pode acompanhar atualizações e orientações preventivas pelas redes sociais oficiais, no Instagram @defesacivilpi, onde são divulgadas informações sobre monitoramento, ocorrências e ações em todo o estado.

Além do WhatsApp, outros contatos podem ser acionados conforme a situação:

  • 199 – Defesa Civil
  • 193 – Corpo de Bombeiros
  • 192 – SAMU

Em Teresina, a Defesa Civil Municipal atende pelos números 199 ou (86) 3223-7366.

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