A TV Globo voltou a ser protagonista com o que mais sabe fazer desde a sua criação: manipular e censurar informações. Durante a transmissão do Carnaval na noite deste domingo (15), a a Globo escondeu o conteúdo político do desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à Sapucaí o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto a escola apresentava referências diretas à trajetória do presidente Lula (PT) e a episódios recentes da política nacional, os comentaristas Milton Cunha, Mariana Gross, Alex Escobar, Karine Alves e Pretinho da Serrinha concentraram suas falas em aspectos técnicos, fantasias, alegorias e acabamento estético.
A comissão de frente encenou uma sequência simbólica com personagens representando os quatro últimos presidentes do país. Na coreografia, Lula passava a faixa presidencial para Dilma Rousseff, que a perdia para Michel Temer em alusão ao golpe do impeachment de 2016.
Bozo na prisão foi sátira ao ao ex-presidente Jair Bolsonaro Em seguida, a faixa era associada a Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo. Mesmo com a encenação explícita, a equipe de transmissão limitou-se a dizer que se tratava de uma representação do passado recente do Brasil, sem identificar nominalmente as figuras parodiadas nem comentar o teor político da crítica.
Nos bastidores, a emissora já havia orientado seus profissionais a manter postura neutra, evitando interpretações que pudessem ser entendidas como propaganda ou posicionamento político. A escolha editorial ficou evidente também na decisão de não exibir integralmente o início do desfile da escola de Niterói.
Nas redes sociais, telespectadores reclamaram que a agremiação já estava avançada na avenida enquanto a transmissão permanecia com comentários em estúdio. Houve críticas diretas à emissora por supostamente minimizar a exibição da homenagem.
Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, desceram do camarote para cumprimentar membros da escola O tratamento desigual ficou evidente na sequência da programação. Logo após a Acadêmicos de Niterói, a Imperatriz Leopoldinense recebeu cobertura ampla desde o esquenta, com apresentação detalhada do enredo em homenagem a Ney Matogrosso, entrevistas, contextualização histórica e exibição integral da entrada na avenida.
A diferença na abordagem reforçou, para parte do público, a impressão de omissão no caso do desfile dedicado a Lula. Na avenida, o enredo percorreu a trajetória do presidente desde a infância. O ator Paulo Vieira interpretou Lula ao longo da apresentação.
Nordestinos retratados na avenida foram muito aplaudidos O presidente acompanhou o desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro. A primeira-dama Janja, que inicialmente estava prevista para participar, não desfilou, e Fafá de Belém entrou em seu lugar. O samba-enredo incluiu referências diretas ao PT, repetiu o grito “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e mencionou o número eleitoral do partido, além de citar Janja.
A narrativa foi conduzida em primeira pessoa por Dona Lindu, mãe do presidente. A letra relembra a viagem de “13 noites e 13 dias” em um caminhão pau-de-arara entre Garanhuns (PE) e a periferia do Guarujá (SP), conectando a trajetória da família à história política de Lula.
Colorido das bandeiras refletiu a alegria da escola O sinal de TV aberta da Globo escondeu tudo sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói. Manipulou a imagens deixando de mostra o enredo da escola e o público vibrando nas arquibancadas em toda a Marquês de Sapucaí. Felizmente hoje não existe alta Globo, como em 1989, quando manipulou e editou o debate entre Lula e Fernando Collor para beneficiar o candidato da direita à Presidência da República, manipulação que os próprios funcionários da Globo confirmaram tempos depois.
Sátira na comissão de frente também mostrou a tomada da faixa de Dilma por Michel Temer