Brasil

FÓSSIL PRÉ-HISTÓRICO

Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

Espécie viveu há 254 milhões de anos e está preservada na UFMT

Teresinha Ferreira

27 de agosto de 2026 às 11:48 ▪ Atualizado há 3 horas

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  • Um fóssil de peixe de 254 milhões de anos foi descoberto em Alto Garças, Mato Grosso.
  • A pesquisa contou com a participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
  • O peixe pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas, como atum e salmão.
  • Notável pela preservação, o fóssil tem escamas de dentina e esmalte semelhantes a dentes humanos.
  • É um dos fósseis mais bem preservados encontrados no Brasil, com quase todo o corpo intacto.
  • Viveu durante o Permiano Superior em um mar interior de Gondwana (supercontinente que incluía a América do Sul e África).
  • Alimentava-se de invertebrados e plantas, ajudando a entender os ecossistemas pré-extinção Permo-Triássica.
  • A descoberta está próxima da cratera de impacto de Araguainha, a maior da América do Sul.
  • Contribuirá para identificar novas espécies e correlacionar áreas na Bacia do Paraná.
  • Coletado em 2005, o fóssil está na Coleção Paleontológica da UFMT em Cuiabá.

Agência Brasil Fóssil de peixe pré-histórico
Fóssil de peixe pré-histórico

Um fóssil de peixe pré-histórico, datado de cerca de 254 milhões de anos, foi revelado em um estudo com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O achado ocorreu em Alto Garças, no estado de Mato Grosso, e está excepcionalmente preservado, oferecendo um raro vislumbre da vida no continente sul-americano antes de uma das maiores transformações da Terra.

A nova espécie pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas, que inclui atum, salmão e bacalhau. Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento, o peixe é notável por ter seu corpo protegido por escamas formadas por dentina e esmalte, materiais similares aos dos dentes humanos.

O fóssil se distingue pelo seu alto grau de preservação. Diferentemente de grande parte dos peixes daquela era encontrados no Brasil, geralmente conhecidos apenas por dentes ou fragmentos, este exemplar mantém praticamente todo o corpo, tornando-o o atoctoniano mais bem preservado já encontrado no estado. O achado é raro mundialmente.

Durante o Permiano Superior, o peixe habitou um antigo mar interior quando América do Sul e África faziam parte do supercontinente Gondwana. Com dentes pequenos, acredita-se que o Leolepis se alimentava de invertebrados e plantas, contribuindo para reconstruir ecossistemas pré-extinção Permo-Triássica, ocorrida há cerca de 252 milhões de anos.

Outra coincidência torna a descoberta especial: a proximidade - cerca de 50 quilômetros - da cratera de impacto de Araguainha, a maior estrutura desse tipo na América do Sul.

O registro de peixes paleozóicos na América do Sul ainda é limitado, e este achado poderia ajudar a identificar a presença de novas espécies em diferentes áreas da Bacia do Paraná, facilitando correlações geológicas, segundo Valéria Gallo, pesquisadora da Uerj.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e está depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

Fonte: Agência Brasil