Brasil

RESPONSABILIDADE ESTATAL

Estado reconhece responsabilidade na morte de Marighella

Há 30 anos, o Brasil admitiu culpa em documento oficial de óbito do guerrilheiro.

Teresinha Ferreira

12 de setembro de 2026 às 11:28 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Carlos Marighella foi um ex-deputado federal e guerrilheiro morto por agentes da ditadura em 1969.
  • Em 1996, o Estado brasileiro reconheceu oficialmente sua responsabilidade na morte de Marighella.
  • O reconhecimento veio 27 anos após o assassinato e foi facilitado pela Lei 9.140 de 1995.
  • A família Marighella sofreu perseguições durante o regime militar, incluindo discriminação enfrentada por seu filho, Carlos Augusto.
  • Em 1979, após a Lei de Anistia, os restos mortais de Marighella foram levados para Salvador.
  • A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos emitiu um novo documento em 2022 com informações adicionais sobre Marighella.
  • Nilmário Miranda destacou a luta pelo reconhecimento sem objetivos de punição, mas como uma forma de aceitar a responsabilidade do Estado.
  • Carlos Augusto acredita que a reparação serve como uma lição para a democracia brasileira, querendo preservar a memória de seu pai como fonte de inspiração.

Agência Brasil Carlos Marighella
Carlos Marighella

Carlos Marighella, ex-deputado federal e guerrilheiro, teve sua morte reconhecida como responsabilidade do Estado brasileiro há 30 anos, em 11 de setembro de 1996. A admissão ocorreu 27 anos após seu assassinato em uma emboscada por agentes da ditadura em 4 de novembro de 1969.

O filho, Carlos Augusto, soube do assassinato do pai aos 20 anos através de fotos enviadas por jornalistas. A família Marighella enfrentou perseguições durante o regime militar, incluindo Carlos Augusto ser expulso da escola e demitido da Petrobras.

Em 1979, após a Lei de Anistia, os restos mortais de Marighella foram levados de São Paulo para Salvador. O reconhecimento oficial veio após a criação da Lei 9.140 em 1995, que instituiu a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

No ano passado, um novo documento foi emitido com informações adicionais, segundo Eugênia Gonzaga, presidente da comissão. Essa retificação destacou a relação de Marighella com a ativista Clara Charf.

Nilmário Miranda, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, relembra a resistência que houve em relação à reparação. Ele destacou que a luta pela justiça não tinha o objetivo de punição, mas de reconhecimento do Estado como responsável.

O filho de Marighella afirma que a reparação deve servir como lição para a democracia brasileira, enfatizando a importância de preservar a memória do pai como inspiração para o futuro. Ele destacou a outorga simbólica de um diploma de engenheiro a Marighella pela Universidade Federal da Bahia.

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Fonte: Agência Brasil