Polícia

CASO MASTER

Daniel Vorcaro financiou rede de prostituição e recrutou refugiadas ucranianas

Reportagem do UOL aponta investimentos de ao menos R$ 4,3 milhões, recrutamento de mulheres estrangeiras e participação do ex-banqueiro na organização de eventos privados

Por Redação

13 de outubro de 2026 às 15:38 ▪ Atualizado há 1 hora


Redes sociais Daniel Vorcaro está preso na sede da PF em Brasília
Daniel Vorcaro está preso na sede da PF em Brasília

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria financiado uma rede internacional de prostituição a partir de 2023, com investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões. Segundo reportagem publicada pelo UOL nesta terça-feira (13), mensagens obtidas pela investigação indicam que ele participava da seleção das mulheres, orientava intermediários e tomava decisões sobre o funcionamento do esquema.

A rede recrutava brasileiras e estrangeiras para eventos privados frequentados por Vorcaro, amigos e autoridades. A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito em maio para investigar a participação de mulheres estrangeiras e possíveis irregularidades na contratação dos serviços.

Vorcaro teria investido milhões no esquema

De acordo com a apuração do UOL, o banqueiro atuava como sócio oculto de uma estrutura que envolvia intermediários, uma agência de eventos e uma casa noturna em São Paulo.

Entre os principais nomes citados estão Leonardo Serrano, proprietário de uma empresa de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos que, segundo a reportagem, recebia R$ 120 mil mensais de Vorcaro.

As conversas analisadas mostram que o banqueiro participava das decisões sobre quais mulheres seriam contratadas, quem permaneceria no grupo e como os encontros seriam organizados. A logística também envolvia viagens internacionais, passagens aéreas, hospedagens e pagamentos a intermediários.

Os registros mencionam eventos em cidades como Paris, Londres, Roma e Dubai, além de festas realizadas no Brasil.

Mulheres estrangeiras e refugiadas eram recrutadas

As mensagens citadas na reportagem mencionam mulheres de diferentes nacionalidades, incluindo russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Uma das situações investigadas envolve uma refugiada ucraniana de 19 anos, que passou a frequentar o grupo em outubro de 2023.

Segundo o UOL, no mês seguinte, Vorcaro comunicou que deixaria de pagar hotéis e passagens aéreas para mulheres que decidissem permanecer no Brasil. A jovem continuou no país.

Os diálogos também revelam a linguagem utilizada pelos envolvidos para se referir às mulheres. Em conversas atribuídas ao promotor Diogo Batista, elas eram chamadas de “escravas” e “kengas”. As mais jovens recebiam o apelido de “creche”.

Uma das mensagens atribuídas a Batista dizia: “Escravinha doutrinada”. Em outra conversa, ele escreveu: “Vou já escravizar ela pra hoje e fazer trabalhar pra gente aí”.

A investigação busca esclarecer as condições em que as mulheres eram recrutadas, contratadas e mantidas no Brasil, além de determinar a responsabilidade de cada envolvido.

Polícia Federal apura possíveis crimes

No Brasil, a prostituição de adultos, por si só, não é crime. No entanto, o favorecimento da prostituição, a exploração sexual e outras condutas previstas na legislação podem configurar crimes.

A investigação também apura a possibilidade de tráfico internacional de pessoas. O enquadramento depende da análise das circunstâncias do recrutamento, do deslocamento e da eventual exploração, conforme os requisitos legais aplicáveis.

A situação de mulheres refugiadas e em condição de vulnerabilidade está entre os pontos que exigem apuração pelas autoridades. As mensagens divulgadas pela reportagem constituem elementos da investigação, mas não representam, por si só, uma condenação judicial.

Segundo o UOL, Leonardo Serrano e Diogo Batista não responderam aos contatos da reportagem. A defesa de Vorcaro informou à Agência Estado que não se manifestaria sobre o assunto.

Fonte: Revista Fórum/Uol