A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou o uso de igrejas e da religião para promover candidatos durante a campanha eleitoral de 2026. A entidade afirmou que não adota posição partidária e defendeu que sua atuação no período eleitoral deve estar voltada à formação da consciência dos eleitores.
A manifestação ocorreu nesta quarta-feira (23), durante encontro da Presidência da CNBB com jornalistas. O presidente da entidade, cardeal Jaime Spengler, afirmou que a Igreja deve participar do debate sobre o momento político brasileiro, mas sem se transformar em instrumento de campanha.
“Nós, como igreja, não fazemos opção por partidos ou por uma política partidária. Nós fazemos parte, sim, da sociedade e, como cidadãos que somos, participamos, mas a igreja como instituição não tem esse tipo de envolvimento”, ressaltou.
O cardeal também criticou a utilização de espaços religiosos para promover candidatos ou determinadas correntes políticas.
“Ao longo da história, quando política e religião tiveram muito envolvidas, o resultado não foi positivo. Então, esse uso da religião ou de igrejas para a autopromoção de candidatos ou ideologias não é salutar”, pontua o arcebispo.
A CNBB vem defendendo, para as eleições deste ano, a participação dos cidadãos no processo eleitoral e o voto consciente. Em mensagem divulgada em junho, a entidade afirmou que não indica candidatos nem partidos e destacou a importância de considerar a trajetória dos candidatos, suas propostas e os compromissos assumidos.
Bispo critica candidatos que se dizem escolhidos por Deus
O vice-presidente da CNBB, dom João Justino, também se manifestou sobre a relação entre religião e campanha eleitoral. Ele classificou como “grave” a apresentação de candidatos como pessoas escolhidas ou ungidas por Deus para obter apoio entre eleitores religiosos.
“Quando se procura legitimar um candidato como se ele fosse um ‘escolhido de Deus’ — para usar uma linguagem bíblica, um ‘Messias’, as coisas se confundem completamente, e ferem até o processo eleitoral. Se ele que é o escolhido de Deus, para quê a gente que tem fé vai votar? Então, é até uma contradição dessa dinâmica, mas isso é muito grave porque muitas pessoas acabam acreditando que sim, aquela pessoa foi ungida por Deus”, avaliou.
CNBB também questiona propostas eleitorais
Durante o encontro com jornalistas, dirigentes da entidade também fizeram críticas à falta de aprofundamento em alguns planos de governo apresentados por candidatos à Presidência.
A CNBB ainda defendeu a realização de debates com os candidatos e discutiu a necessidade de rever privilégios concedidos a autoridades dos diferentes Poderes, incluindo o Judiciário.
A entidade mantém a orientação de que a Igreja participe da discussão sobre temas de interesse da sociedade sem assumir posição partidária. Em setembro, a CNBB também reforçou a importância do diálogo, da participação cidadã e da cultura de paz durante o processo eleitoral.