DÉFICIT BILIONÁRIO

Medo da reforma provocou um aumento significativo de pedidos de aposentadoria

Entre janeiro e maio deste ano, a PiauiPrev concedeu perto de 700 benefícios


Ricardo Pontes (PiauiPrev) em entrevista a Zózimo Tavares e Najda Rodrigues

Ricardo Pontes (PiauiPrev) em entrevista a Zózimo Tavares e Najda Rodrigues Foto: Paulo Pincel

A não inclusão de Estados e municípios na reforma da Previdência - cujo texto base encaminhado por Bolsonaro ao Congresso foi aprovado na quarta-feira (10) pela Câmara dos Deputados - pode causar uma corrida ainda maior de servidores públicos aptos a buscarem o benefício da aposentadoria. O presidente da Fundação Piauí Previdência, Ricardo Pontes, advertiu hoje (11) para o que chamou de "bagunça jurídica", por conta dos regimes próprios de Previdência que vão surgir pelo país, caso Estados e municípios continuem fora da reforma.

Pontes lembrou que o Piauí já vive uma enorme dificuldade, que pode se agravar com a reforma, que é o déficit financeiro no Fundo de Previdência. “É uma conta que não fecha”.

Hoje, o que o Estado arrecada não cobre 40% do que é pago de benefício para aposentados e pensionistas. E esse déficit é crescente. Em 2018, foram desembolsados mais de R$ 1 bilhão - dos R$ 9 bilhões do Orçamento Geral do Estado - para cobrir a folha de inativos. Para este ano, a previsão é que o déficit na Previdência chegue a R$ 1 bilhão e 200 milhões.

A proporção entre ativos e inativos, que era de um para um, agora é desigual, com menos gente em atividade. A tendência é que esse quadro se agrave ainda mais.

De janeiro a maio deste ano, quase 700 aposentadorias foram concedidas no Estado. Há dezenas de pedidos estão em análise.

Sem ter como bancar a conta, o governo busca alternativas para capitalizar o Fundo de Previdência, uma delas aguarda a aprovação da Assembleia Legislativa. 

O Executivo encaminhou Mensagem aos deputados solicitando autorização para alienar 54 imóveis do Estado, em Teresina e no interior, para fazer caixa.

"Aqui nós estamos discutindo a questões dos imóveis que estão subutilizados, mal utilizados, para que possamos dar alguma destinação financeira para eles, ou seja, monetizá-los. Temos um imóvel que não estamos usamos. Então, podemos vender, alugar? Podemos fazer uma parceria público-privada? Se a gente tem uma receita nova nós podemos redireciona-la", explicou o presidente da PiauiPrev, em entrevista aos jornalistas Zózimo Tavares e Nadja Rodrigues, na Rádio Cidade Verde FM, e  Joelson Giordani, na TV Cidade Verde, no começo da tarde desta quinta-feira.

Ricardo Pontes concede entrevista ao jornalista Joelson Giordani, na TV Cidade Verde

Evitar que o Piauí vire um Rio Grande do Sul, onde a proporção de inativos para ativos alcançou - pasmem! - 17 por 1, isto é, são pagas 17 aposentadorias ou pensões e recolhida apenas a contribuição de um servidor ativo, foi o que o governador Wellington Dias (PT) tentou, sem sucesso, nas mais de seis reuniões com o presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Brasília.

WDias vai insistir agora na inclusão dos Estados e municípios na nova Previdência. durante a votação da reforma da Previdência no Senado Federal. O governador aposta na representatividade dos Estados em Plenário que é igual, com 3 senadores cada, para tentar reverter o que parece inevitável aos regimes próprios: a falência! 



O presidente da Fundação PiauiPrev, Ricardo Pontes, com o jornalista Zózimo Tavares

Fonte: MEIA PALAVRA - Fotos: Paulo Pincel

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Sobre a coluna

Paulo Pincel

Paulo Pincel

Paulo Barros é formado em Comunicação Social-Jornalismo/UFPI; com Especialização em Marketing e Jornalismo Político/Instituto Camilo Filho

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