Olhe Direito!

Adeus, Tiago Falcão!


Tiago Falcão

Tiago Falcão Foto: Divulgação

 “A vida é um sopro do criador, numa atitude repleta de amor!”

 Gonzaguinha, em “O que é, o que é?” 

Começo esse texto sentido e sincero falando em vida para lastimar uma morte tão surpreendente e que deixou a muitos sem chão. A precoce partida de Tiago de Melo Falcão, na segunda-feira, 9 de outubro, não somente entristece como choca – a mim, por exemplo, por tê-lo encontrado na sexta-feira anterior em um tradicional bar e restaurante da zona leste de Teresina. 

Tiago era um tipo de pessoa que personificava a alegria de viver, o bom humor e aquele gostar próprio somente dele, sempre disposto ao abraço e ao sorriso franco. Era marca registrada desse amigo que sempre tinha disposição para conversas amenas e que nos aliviam dos fardos das preocupações, mas que podia, na hora devida, ser um conselheiro para nos ajudar a buscar soluções. 

Como alguém que ama a vida e viveu intensamente, gostava de sempre estar com os amigos, em confrarias como a do Bar do Santana, que virou um círculo de amigos reunidos amiúde em celebração ao viver e bem viver. 

Conheço Tiago desde muito tempo, a despeito de nossa diferença de idade em nove anos, eu nascido em 1966, ele, em 1975. Nossos pais, amigos de magistratura, exerceram cargos de juiz nos anos 1970 e isso conduziu a uma relação amistosa e fraternal entre nós dois. 

As minhas relações pessoais com Tiago se reforçaram em razão da amizade entre nossas filhas, Maria Cláudia, a filha do Tiago, e Ana Carolina, a minha filha. Sobre isso, eu tenho até que ser grato a Tiago, porque ele incentivou a boa relação entre nossas filhas e as aconselhou com frequência a ler, a amar a natureza e o mar. Assim, tornou-se responsável por uma linda amizade entre duas meninas que adquiriram o gosto de ler e escrever. 

O cuidado do Tiago com suas filhas era em lhes passar suas maiores virtudes: a humildade e seu inabalável bom humor. Todos que o conheciam se faziam alegres na presença dele, devido à sua descontração e espontaneidade. Era uma pessoa que nunca se deixava abater e isso o fez cativar a todos ao seu redor, principalmente aos amigos de suas meninas, que agora viverão a saudade nas memórias das caronas e apelidos do famoso tio Tiago.

Sobre essa pessoa tão especial em nossas vidas, deixo o que me disse sobre o Tiago Falcão a minha filha Ana Carolina: “O tio Tiago era uma pessoa muito única. Podia até não estar sorrindo o tempo todo, mas sempre estava de bom humor. Ele não se deixava abater fácil e estava sempre com uma piada na manga, por isso estar com ele era risada garantida, porque ele amava implicar com as meninas e quando você era um amigo próximo delas, ele implicava com você também e isso era muito divertido. Ele dava apelido (eu era a Carol da Motoca) e até chamava a gente de filha. Ele era simplesmente apaixonado pela fazenda e passou esse amor para Maria e para todas as amigas que ela levava muito lá. Era um churrasqueiro ótimo. Toda ida no São João Batista tinha que ter a famosa picanha dele para gente comer com farofa e limonada, pelo menos dia”.

O depoimento da Carol me faz ver que a dor da lembrança, ainda que grande e que espalhe luto entre os que amam e admiram Tiago Falcão, não pode nem deve ser superior às boas memórias que cada um carrega dele. Deixará um espaço a não ser preenchido facilmente nos corações e mentes de todos os que tiveram a sorte de conhecê-lo.

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Álvaro Mota

Álvaro Mota

É advogado, procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.
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