ELEIÇÕES 2026
Por Luiz Brandão
10 de outubro de 2026 às 20:23 ▪ Atualizado há 42 minutos
Cinco dias depois de o Piauí consolidar sua posição como um dos principais redutos eleitorais do presidente Lula no país, as principais lideranças políticas do estado se reuniram em Teresina para traçar o caminho da virada. Na noite de sexta-feira (9), o governador Rafael Fonteles (PT) comandou um encontro que reuniu senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias de todos os 224 municípios piauienses. O objetivo era um só: garantir que o Piauí amplie ainda mais sua contribuição para a reeleição do presidente no segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
A reunião teve clima de confiança e mobilização. Para os aliados, a virada não é apenas possível — é provável. “Eu acho que sim, nós temos uma condição muito grande de pegar mais voto. Agora é só um voto, então muita gente que errou, que saiu em branco, que se absteve, vai ter a chance de corrigir”, afirmou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. “Essa força que está vindo do povo, da juventude, da saúde, do setor social, do rural, da academia, dos artistas, todo mundo compreende o risco que corre o Brasil de ter retrocesso. Vamos virar o jogo sim e ganhar as eleições com Lula presidente.”
A confiança é respaldada pelos números. No Piauí, Lula recebeu 1.523.710 votos, o equivalente a 70,99% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 517.028 votos (24,09%). A diferença entre os dois candidatos foi de 1.006.682 votos, ou 46,90 pontos percentuais.
O senador reeleito Marcelo Castro (MDB) não esconde o otimismo. “Com certeza. Nós vamos virar esse jogo. Vai começar do Nordeste. O Lula tem que fazer muita campanha no Sudeste, tem que ir para os debates, comparar o governo dele com o governo do outro lado e mostrar que ele é a esperança, é a prosperidade. Com ele o Brasil avança, com o outro o Brasil retroage”, declarou. Para Castro, a comparação entre os indicadores econômicos dos dois governos é decisiva: “No governo do Lula, todos os indicadores são o dobro. O país está mil vezes melhor do que era”.
Estratégia traçada
Durante o encontro, o governador Rafael Fonteles apresentou um plano de ação com seis frentes prioritárias. A principal delas é a realização de 224 carreatas — uma em cada município do Piauí — como forma de levar a mensagem da campanha às ruas e mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
“Agora é a campanha da consciência política de cada um, momento de fazer o que está ao seu alcance para melhorarmos novamente a votação de Lula no segundo turno. As lideranças municipais e os prefeitos são fundamentais para que possamos levar essa mensagem ao eleitor”, afirmou Fonteles. “Quem está aqui está comprometido. Vamos cumprir nossa missão, fazer a nossa parte, porque sabemos o que Lula representou, o que representa e o que vai representar no futuro junto conosco. Prefeitos e lideranças vão mobilizar a população e vamos diminuir a abstenção”.
A abstenção é, de fato, uma das maiores preocupações da campanha. No primeiro turno, 481.506 eleitores piauienses deixaram de votar — um contingente de 18,74% do eleitorado . A avaliação das lideranças é de que a redução desse número pode representar um acréscimo significativo à votação de Lula. Em 2022, no segundo turno, a abstenção caiu para 18,74% no estado, mas ainda deixou mais de 480 mil eleitores de fora.
A aposta na juventude
O ministro Wellington Dias fez questão de destacar o papel da juventude na campanha, especialmente nas redes sociais. “Quero parabenizar a juventude que está dando um show nas redes sociais, mobilizando e mostrando de forma convincente que o outro lado significa concentração de renda, corte do social e da educação, enquanto o lado de Lula prioriza a oportunidade de ascensão do pobre, por meio da defesa das universidades, do SUS, de comida na mesa de todos os brasileiros”, afirmou. “Quem pode botar esse país pra frente continua sendo o nosso presidente Lula.”
O presidente do diretório estadual do PT no Piauí, Fábio Novo, reconheceu que a legenda ainda tem desafios no ambiente digital, mas destacou avanços. “Nós somos muito bons de rua, mas ainda somos ruins de redes. O nosso desafio agora é dominar as redes”, admitiu. Segundo ele, os canais oficiais do partido no estado passaram de 9 mil para 150 mil seguidores de forma orgânica, impulsionados pelo engajamento de jovens e gestores municipais.
A estratégia digital, no entanto, não substitui o contato pessoal. O senador eleito Júlio César Lima (PSD) defendeu uma abordagem direta e comparativa. “Vamos mostrar, vamos de casa em casa, vamos virar o jogo. No dia 25 vocês vão ver a gratidão que o povo brasileiro vai ter ao Lula, o seu reconhecimento para elegê-lo presidente para o quarto mandato”, declarou. “Compare o Lula com o seu opositor, veja o que ele fez, veja o que o outro fez. Você vai fazer a opção e votar no Lula 25 para continuar presidente da República”.
O deputado federal e senador eleito pelo PSD sugeriu ainda um modelo de atuação para os prefeitos: “Que os prefeitos mostrem para sua comunidade aquilo que o Lula fez. É muito importante. E que os vereadores, os ex-prefeitos, todo mundo seja multiplicador daquilo que o Lula fez para que o povo tenha conhecimento, principalmente na área social e para aqueles que mais precisam”.

Articulação nacional
O encontro contou com a presença de peso da bancada governista. Além do governador Rafael Fonteles e do ministro Wellington Dias, participaram os senadores Jussara Lima e Marcelo Castro, o senador eleito Júlio César Lima, o presidente estadual do PT, Fábio Novo, e a ex-governadora Regina Sousa. A articulação ocorre em um momento em que Rafael Fonteles também atua na coordenação nacional da campanha de Lula, dividindo-se entre Brasília e Teresina.
Para o senador Marcelo Castro, o foco não pode ficar restrito ao Nordeste. “O Lula tem que fazer muita campanha no Sudeste. Tem que ir para os debates, comparar os governos e mostrar que ele é a esperança, é a prosperidade”, afirmou. A avaliação é compartilhada por Wellington Dias, que reconheceu que o desempenho no Sudeste ficou abaixo das previsões no primeiro turno.
“O segundo turno, da minha experiência, é uma nova eleição”, afirmou o ministro. “Primeiro, nós vamos ter que garantir a condição de quem veio votar no primeiro turno novamente comparecer no segundo turno. Depois, buscar aqueles que não compareceram", declarou Wellington Dias.
A meta declarada pela base governista é ambiciosa: alcançar 80% dos votos válidos no Piauí. Se depender do entusiasmo demonstrado na reunião de sexta-feira, o objetivo não parece distante. Como resumiu o senador Júlio César Lima: “Eu trabalho buscando o resultado. Você tem que trabalhar com determinação, com confiança, com credibilidade, mostrando aquilo que o Lula fez e tem compromisso de continuar fazendo”.

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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