ENTREVISTA
Por Luiz Brandão
28 de outubro de 2026 às 06:05
O deputado estadual Fábio Novo, presidente do PT no Piauí, afirmou durante entrevista ao podcast Bate-Papo Com Notícias, comandado pelo jornalista Luiz Brandão, que tem interesse em concorrer novamente à Prefeitura de Teresina, mas que a decisão caberá ao partido. A declaração foi dada nesta terça-feira (27), durante entrevista na qual fez um balanço das eleições deste ano.
"Se o PT decidir, eu topo. Estou muito mais convicto hoje do que dizia e pregava. Estava certo e está certíssimo. Estou em paz com minha consciência", declarou Fábio Novo, que fez questão de ressaltar: "Não estou dizendo que sou candidato, mas quero ser escutado sim na hora que a gente for discutir a cidade de Teresina".
O presidente estadual do PT defendeu que o partido tenha candidatura própria na capital. "Partido político foi feito para quê? Para disputar eleição. A função de partido político é disputar eleição. Então, a primeira coisa que eu penso é que tem que ter candidato a prefeito de Teresina", afirmou.
Fábio Novo foi reeleito deputado estadual com 45.700 votos, sendo 22.500 em Teresina, mais da metade de sua votação total. Ele destacou que foi o deputado estadual mais votado da federação na capital, sem o apoio de nenhum vereador eleito.
"Eu não tinha um vereador de mandato. Estava comigo os líderes comunitários, associações de moradores, conselhos comunitários. Eu fiz uma opção de trabalhar diretamente com o povo", ressaltou.
Sobre a derrota na eleição para prefeito de Teresina, Fábio Novo foi categórico ao apontar a traição de candidatos a vereador de sua própria base como um dos fatores decisivos. Segundo uma pesquisa qualitativa encomendada por ele, três motivos explicam o resultado: o voto de confiança (eleitores que preferiram o candidato adversário por não quererem o "novo" representado pela gestão anterior), o descasamento de voto e a não vinda do presidente Lula a Teresina na campanha de 2024.
"Eu tive 200 mil votos, mas os candidatos a vereadores que me apoiavam tiveram 300 mil votos. Quer dizer, tiveram 100 mil votos a mais do que eu. Então significa dizer que teve vereador, candidato a vereador, que traiu. Mas isso não foi só comigo. O Dr. Pessoa só teve 10 mil votos para prefeito e os vereadores dele tiveram 90 mil. Os que traíram foram para o lado de quem foi eleito", explicou.
O deputado também mencionou a ausência de Lula na campanha como fator prejudicial: "Faltaram 10 mil votos para ir para o segundo turno e 30 mil para ganhar. Se o Lula tivesse vindo, ele iria frear o primeiro motivo, que é a falta de confiança, porque ele diria: 'Eu sou presidente da República, esse menino aqui me representa'".

Vitória histórica do PT e de Rafael Fonteles
Fábio Novo celebrou o resultado das urnas no Piauí, que considerou extraordinário para o partido. O PT elegeu o governador, o vice-governador e encabeçou um projeto político com MDB e PSD que resultou na eleição dos dois senadores, de nove dos dez deputados federais e de 27 dos 30 deputados estaduais — sendo 14 da federação.
"Melhor impossível. O PT elegeu o governador, sendo este o mais votado do Brasil", afirmou. "Lula foi o mais votado no primeiro turno, ampliou em quase 6% a votação — passou de 71% para 75,88%. Nós demos no primeiro turno 1 milhão de votos de maioria. Agora foi 1.000.128. Aumentou mais de 100 mil votos".
O deputado destacou a participação popular como diferencial da gestão de Rafael Fonteles. "Foi o governo mais próximo. O Diálogos pelo Piauí foi a todos os territórios, escutamos as pessoas de cada território, do que ela pensa, do que ela quer para o governo. Só o Rafael fez plano de governo ouvindo as pessoas".
Fábio Novo ressaltou duas bandeiras históricas do PT que se concretizaram com força no estado: a regularização fundiária e o Orçamento Participativo. "O maior e melhor programa de Orçamento Participativo do Brasil. Dinheiro que as pessoas se reúnem através de uma associação ou conselho comunitário, indicam o que querem e colocam em votação de forma moderna e tecnológica através do WhatsApp. E as obras mais votadas são executadas. 95% das obras do OPA estão prontas, concluídas e entregues".
Sobre a regularização fundiária, mencionou avanços significativos: "Nós fizemos em três anos em Teresina 60 mil registros em bairros de 50 anos, como Campinho, Parque Piauí, Bela Vista, Renascença, Sassi. Agora estamos colocando para o segundo mandato 200 mil registros".
Rafael Fonteles como liderança nacional
O presidente do PT no Piauí defendeu que o governador Rafael Fonteles está preparado para assumir um papel de maior destaque no cenário nacional, inclusive a possibilidade de ser convidado para um ministério no governo Lula — especulou-se sobre as pastas da Fazenda ou Casa Civil.
"Se eu fosse o Lula e chamasse o Rafael para ser ministro da Fazenda ou da Casa Civil, eu acho que ele deveria ir. Porque o chamado é uma missão", opinou Fábio Novo, ressaltando que a saída não representaria abandono do estado. "O Rafael foi chamado em favor do povo brasileiro de defender um projeto que corria risco. Ele teve um papel fundamental no segundo turno para eleger Luís Inácio Lula da Silva, que não é o Lula, não é o PT, mas é o cara que dá segurança para o país".
O deputado mencionou uma cena que considerou simbólica: "Depois que consagrou a vitória, Lula vai fazer a comemoração na Avenida Paulista. E nessa cena ele chama o Rafael e o Camilo. Três nordestinos: Lula, pernambucano; Camilo, cearense; Rafael, piauiense. Para mim, ali está o núcleo do poder do próximo governo".
Fábio Novo também comentou a publicação do jornal espanhol El País, que apontou o governador piauiense como possível sucessor de Lula. "Fortalece a minha tese. Ora, se o Lula convida o Rafael e ele vai para Brasília e tem um bom desempenho, porque o Lula não é mais candidato a presidente, essa é a última eleição da vida dele. Nós vamos ter que preparar nomes", afirmou.
Sobre a segurança pública, área em que o Piauí tem se destacado, o deputado ressaltou: "O governo do Rafael é um case de sucesso. Segurança pública é uma bandeira que nós, da esquerda, sempre tínhamos vergonha de defender. O Rafael puxou essa bandeira". Ele citou a redução de crimes e o fim dos assaltos a banco no estado como resultados positivos.

Relação com o Legislativo e eleições municipais
Questionado sobre a relação do governador com o PT, Fábio Novo foi categórico: "Não é verdade que o Rafael não escuta o PT. Ele foi várias vezes no PT, respeita o partido. Toda a elaboração do plano de governo passou pelo PT, foi quem ajudou a coordenar todo o processo".
Sobre a presidência da Assembleia Legislativa, confirmou o acordo com o MDB: "O PT ficou os dois primeiros anos e o MDB agora ficou os dois últimos. Agora é a vez do PT". Ele, no entanto, evitou adiantar nomes: "Nós não discutimos nomes. Primeiro temos que fazer uma reunião da nossa bancada que foi eleita e escutar todos".
Fuga de Flávio Bolsonaro e defesa da democracia
O programa também abordou a fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, 48 horas após a derrota eleitoral. Fábio Novo foi crítico: "Ele já havia dito que não ia fugir. Podia deixar o passaporte, podia ficar no Brasil. Quem não deve, não teme. Será que ele tem culpa no cartório? Isso acabou sendo uma assinatura de confissão".
O deputado comparou a postura do senador à do presidente Lula: "O Lula também foi preso e não fugiu do país. Sabia que ia ser preso numa trama que fizeram contra ele, mas se manteve aqui, ficou quase dois anos na prisão. Mostra bem o caráter das pessoas. A diferença é abissal".
Fábio Novo lembrou o histórico familiar: "Tem o pai preso por golpe de estado, o irmão com prisão decretada e foragido. Agora, o que queria ser presidente acaba de fugir do país. Eles queriam o poder para quê? Para esconder os crimes, para enterrar os processos e para trazer de volta o irmão foragido. Era um projeto de poder familiar".
Sobre a vitória de Lula, o presidente do PT no Piauí destacou o significado internacional: "A eleição do Lula representa esperança para o restante do mundo contra a extrema direita. Representa o escudo contra o Trump, o escudo contra a extrema direita. Isso é muito grande".
Reforma política e futuro do partido
Fábio Novo defendeu mudanças no sistema eleitoral brasileiro: "Precisa ter a reforma política e a reforma do Judiciário. O ideal é que nós deveríamos votar no partido, em lista. Muitos países já fizeram, Espanha já fez. Seria eleições mais baratas, que fortaleceriam ideias, projetos e partidos. Agora, o Brasil tem coragem de fazer isso com um Congresso conservador? Acho bem difícil".
O deputado também advogou por maior protagonismo do Nordeste nas decisões do partido: "Precisa ter humildade do PT do Sul e do Sudeste de reconhecer que hoje os bons exemplos estão partindo daqui. O PT do Piauí, o governo do Rafael é um case de sucesso".
Compromisso com Teresina
Ao final da entrevista, Fábio Novo agradeceu a oportunidade e reforçou seu compromisso com a capital piauiense: "Tenho muita gratidão a essa cidade que me acolheu desde os 14 anos. Toda semana, três, quatro dias, você vai me ver no bairro de Teresina. É um OPA, é um Casa Legal, é uma emenda parlamentar que eu coloquei para ajudar a fazer um calçamento ou o asfalto. Trabalhei mais do que o prefeito atual nesses dois anos".
Acesse o link abaixo e veja entrevista completa
https://www.youtube.com/live/Ok3vdA9sd4Q?is=zsO091qU4uIzUka2

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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