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ENTREVISTA

Fábio Novo celebra vitória do PT e diz que Rafael é a nova liderança da esquerda no Brasil

Em entrevista ao podcast Bate-Papo Com Notícias, o presidente estadual do PT destaca crescimento do partido nas eleições, possibilidade de Rafael Fonteles assumir ministério no governo Lula e a fuga de Flávio Bolsonaro após derrota

Por Luiz Brandão

28 de outubro de 2026 às 01:26 ▪ Atualizado há 38 minutos

Ver resumo
  • Fábio Novo, presidente do PT no Piauí, discutiu a vitória eleitoral do partido e destacou o sucesso nas eleições estaduais e nacionais.
  • O PT viu uma ampla vitória no estado, elegendo governador, senadores e a maioria dos deputados.
  • Novo ressaltou a importância da participação popular nas gestões de governo como diferencial.
  • Foram destacadas a regularização fundiária e o Orçamento Participativo como conquistas no Piauí.
  • Novo sugeriu que o governador Rafael Fonteles pode ter um papel nacional significativo no governo Lula.
  • Ele criticou a fuga de Flávio Bolsonaro e defendeu a reputação de Lula.
  • Advocou por uma reforma política e reconheceu a importância do protagonismo nordestino no PT.
  • Comentou sobre as próximas eleições municipais e a necessidade de candidaturas fortes do PT.

Foto: Pedro Sávio Deputado estadual Fábio Novo, presidente do PT no Piauí
Deputado estadual Fábio Novo, presidente do PT no Piauí

O deputado estadual Fábio Novo, presidente do PT no Piauí, foi o entrevistado do podcast Bate-Papo Com Notícias nesta terça-feira (27), comandado pelo jornalista Luiz Brandão com a participação especial do advogado Marcos Steiner. Durante a entrevista, o parlamentar fez um balanço da vitória eleitoral do partido, comentou a reeleição do presidente Lula e a expressiva votação do governador Rafael Fonteles no estado, além de analisar o cenário político nacional após a fuga do senador Flávio Bolsonaro.

Fábio Novo destacou que o resultado das urnas foi extraordinário para o partido no estado. Segundo ele, o PT elegeu o governador, o vice-governador e encabeçou um projeto político com partidos aliados como MDB e PSD, que resultou na eleição dos dois senadores da República, de nove dos dez deputados federais e de 27 dos 30 deputados estaduais, sendo 14 da federação PT/PV/PCdoB.

"Melhor impossível. O PT elegeu o governador, sendo este o mais votado do Brasil", afirmou. O presidente estadual do PT ressaltou ainda o desempenho do presidente Lula no estado: "Lula foi o mais votado no primeiro turno, ampliou em quase 6% a votação, passou de 71% para 75,88%. Nós demos no primeiro turno 1 milhão de votos de maioria. Agora foi 1.000.128. Aumentou mais de 100 mil votos".

Questionado sobre os ensinamentos que o partido deve extrair da eleição, Fábio Novo apontou a participação popular como diferencial da gestão de Rafael Fonteles. "Foi o governo mais próximo. O Diálogos pelo Piauí foi a todos os territórios, escutamos as pessoas de cada território, do que ela pensa, do que ela quer para o governo", explicou.

O deputado destacou duas bandeiras históricas do PT que se concretizaram com força no estado: a regularização fundiária e o Orçamento Participativo. "O maior e melhor programa de Orçamento Participativo do Brasil. Dinheiro que as pessoas se reúnem através de uma associação ou conselho comunitário, indicam o que querem e colocam em votação de forma moderna e tecnológica através do WhatsApp. E as obras mais votadas são executadas", detalhou.

Sobre a regularização fundiária, Fábio Novo mencionou avanços significativos: "Nós fizemos em três anos em Teresina 60 mil registros em bairros de 50 anos, como Campinho, Parque Piauí, Bela Vista, Renascença, Sassi foram regularizados". O deputado também citou o caso do Risoleta Neves, área pela qual lutou ao lado da saudosa deputada Francisca Trindade.

Rafael Fonteles como liderança nacional

O presidente do PT no Piauí defendeu que o governador Rafael Fonteles está preparado para assumir um papel de maior destaque no cenário nacional, inclusive a possibilidade de ser convidado para um ministério no governo Lula — especulou-se sobre as pastas da Fazenda ou Casa Civil.

"Se eu fosse o Lula e chamasse o Rafael para ser ministro da Fazenda ou da Casa Civil, eu acho que ele deveria ir. Porque o chamado é uma missão", opinou Fábio Novo, ressaltando que a saída não representaria abandono do estado. "O Rafael foi chamado em favor do povo brasileiro de defender um projeto que corria risco. Ele teve um papel fundamental no segundo turno para eleger Luís Inácio Lula da Silva, o cara que dá segurança para o país".

O deputado mencionou uma cena que considerou simbólica: "Depois que consagrou a vitória, Lula vai fazer a comemoração na Avenida Paulista. E nessa cena ele chama o Rafael e o senador Camilo Santana. Três nordestinos: Lula, pernambucano; Camilo, cearense; Rafael, piauiense. Para mim, ali está o núcleo do poder do próximo governo".

Fábio Novo também comentou a publicação do jornal espanhol El País, que apontou o governador piauiense como possível sucessor de Lula. "Fortalece a minha tese. Ora, se o Lula convida o Rafael e ele vai para Brasília e tem um bom desempenho, porque o Lula não é mais candidato a presidente, essa é a última eleição da vida dele. Nós vamos ter que preparar nomes", afirmou.

Sobre a segurança pública, área em que o Piauí tem se destacado, o deputado ressaltou: "O governo do Rafael é um case de sucesso. Segurança pública é uma bandeira que nós, da esquerda, sempre tínhamos vergonha de defender. O Rafael puxou essa bandeira". Ele citou a redução de crimes e o fim dos assaltos a banco no estado como resultados positivos.

Relação com o Legislativo e eleições municipais

Questionado sobre a relação com o PT, Fábio Novo foi categórico: "Não é verdade que o Rafael não escuta o PT. Ele foi várias vezes no PT, respeita o partido. Toda a elaboração do plano de governo passou pelo PT, foi quem ajudou a coordenar todo o processo".

Sobre a presidência da Assembleia Legislativa, confirmou o acordo com o MDB: "O PT ficou os dois primeiros anos e o MDB agora ficou os dois últimos. Agora é a vez do PT". Ele, no entanto, evitou adiantar nomes: "Nós não discutimos nomes. Primeiro temos que fazer uma reunião da nossa bancada que foi eleita e escutar todos".

Em relação às eleições municipais de Teresina, Fábio Novo defendeu que o partido tenha candidatura própria. "Partido político foi feito para disputar eleição. Então, a primeira coisa que eu penso é que tem que ter candidato a prefeito de Teresina". Ele destacou o crescimento do PT na capital: "Teresina se abriu para o PT nesta eleição. Rafael perdeu a eleição por 24 mil votos em 2022. Agora ganhou com quase 120 mil de maioria".

O deputado, que foi candidato a prefeito em 2024 e perdeu por margem apertada, analisou os motivos da derrota: "Perdemos por três coisas: o voto de confiança — as pessoas não queriam o novo porque o novo tinha sido o Dr. Pessoa, um grande desastre; o descasamento de voto — tive 200 mil votos, mas os vereadores que me apoiavam tiveram 300 mil; e a não vinda do Lula". Sobre uma nova candidatura, foi direto: "Se o PT decidir, eu topo".

Fuga de Flávio Bolsonaro e defesa da democracia

O programa também abordou a fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, 48 horas após a derrota eleitoral. Fábio Novo foi crítico: "Ele já havia dito que não ia fugir. Podia deixar o passaporte, podia ficar no Brasil. Quem não deve, não teme. Será que ele tem culpa no cartório? Isso acabou sendo uma assinatura de confissão".

O deputado comparou a postura do senador à do presidente Lula: "O Lula também foi preso e não fugiu do país. Sabia que ia ser preso numa trama que fizeram contra ele, mas se manteve aqui, ficou quase dois anos na prisão. Mostra bem o caráter das pessoas. A diferença é abissal".

Fábio Novo lembrou o histórico familiar: "Tem o pai preso por golpe de estado, o irmão com prisão decretada e foragido. Agora, o que queria ser presidente acaba de fugir do país. Eles queriam o poder para quê? Para esconder os crimes, para enterrar os processos e para trazer de volta o irmão foragido. Era um projeto de poder familiar".

Sobre a vitória de Lula, o presidente do PT no Piauí destacou o significado internacional: "A eleição do Lula representa esperança para o restante do mundo contra a extrema direita. Representa o escudo contra o Trump, o escudo contra a extrema direita. Isso é muito grande".

Reforma política e futuro do partido

Fábio Novo defendeu mudanças no sistema eleitoral brasileiro: "Precisa ter a reforma política e a reforma do Judiciário. O ideal é que nós deveríamos votar no partido, em lista. Muitos países já fizeram, Espanha já fez. Seria eleições mais baratas, que fortaleceriam ideias, projetos e partidos. Agora, o Brasil tem coragem de fazer isso com um Congresso conservador? Acho bem difícil".

O deputado também advogou por maior protagonismo do Nordeste nas decisões do partido: "Precisa ter humildade do PT do Sul e do Sudeste de reconhecer que hoje os bons exemplos estão partindo daqui. O PT do Piauí, o governo do Rafael é um case de sucesso".

Ao final da entrevista, Fábio Novo agradeceu a oportunidade e reforçou seu compromisso com Teresina: "Tenho muita gratidão a essa cidade que me acolheu desde os 14 anos. Toda semana, três, quatro dias, você vai me ver no bairro de Teresina. É um OPA, é um Casa Legal, é uma emenda parlamentar que eu coloquei para ajudar a fazer um calçamento ou o asfalto".

Acesse o link abaixo e veja a entrevista completa 

https://www.youtube.com/live/Ok3vdA9sd4Q?is=vQZBy61s0EOpbB5N

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Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.



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