A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) investiga um caso provável de Febre do Nilo Ocidental em uma mulher de 35 anos, residente no município de Canavieira, no Sul do Piauí. A informação foi confirmada pelo órgão estadual de saúde nesta terça-feira (25 de agosto). A paciente chegou a ser internada no Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella, em Teresina, onde recebeu atendimento médico. Segundo a Sesapi, ela já teve alta hospitalar.
Um exame realizado pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém, no Pará, apresentou resultado reagente para o vírus da Febre do Nilo Ocidental. Apesar disso, o caso ainda não pode ser considerado confirmado. A confirmação depende do resultado de um teste de neutralização, procedimento laboratorial utilizado na investigação da infecção.
Sesapi investiga possível foco de transmissão
Enquanto aguarda a conclusão dos exames, a Sesapi mantém contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Canavieira para acompanhar a paciente e investigar a possibilidade de circulação do vírus na região. As equipes de vigilância foram orientadas a observar a ocorrência de animais mortos, especialmente aves, e monitorar o eventual aparecimento de outras pessoas apresentando sintomas compatíveis com a doença.
A Febre do Nilo Ocidental é transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados, especialmente os do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas. As aves silvestres têm papel importante no ciclo da doença. O mosquito pode adquirir o vírus ao se alimentar do sangue de uma ave infectada e posteriormente transmiti-lo por meio da picada.
Piauí registrou primeiro caso brasileiro em 2014
O Piauí tem papel importante no histórico da Febre do Nilo Ocidental no Brasil. O primeiro caso humano registrado no país ocorreu em 2014, em Aroeiras do Itaim, no interior piauiense. Outros registros foram identificados posteriormente no estado, inclusive casos relacionados a infecções ocorridas em 2017. A nova investigação ocorre justamente em um momento de reforço da vigilância nacional sobre a doença. Em 2026, o Ministério da Saúde contabiliza dois casos confirmados em Santa Catarina e dois em São Paulo, além do caso provável que está sendo investigado no Piauí. Em Santa Catarina, um dos pacientes infectados morreu. As autoridades sanitárias ainda investigam se a Febre do Nilo Ocidental foi a causa básica do óbito.
Quais são os sintomas?
A maior parte das pessoas infectadas pelo vírus pode não apresentar sintomas. Quando há manifestações clínicas, a doença pode provocar sintomas como:
febre de início repentino;
dor de cabeça;
dores musculares;
mal-estar;
náuseas e vômitos;
falta de apetite;
dor nos olhos;
manchas na pele;
aumento dos gânglios linfáticos.
Em uma parcela menor dos pacientes, a doença pode evoluir para formas graves, atingindo o sistema nervoso central ou periférico e provocando quadros como encefalite ou meningite. Confusão mental, alterações no nível de consciência, tremores e convulsões são sinais que exigem atendimento médico imediato.
Não há vacina específica para humanos
Não existe atualmente vacina específica para prevenir a Febre do Nilo Ocidental em humanos, nem medicamento antiviral específico contra o vírus. O tratamento é realizado de acordo com os sintomas e a gravidade apresentada pelo paciente. Casos mais graves podem exigir hospitalização e suporte intensivo. Entre as principais medidas preventivas estão o uso de repelentes, telas em portas e janelas, roupas que reduzam a exposição da pele e medidas para diminuir a proliferação de mosquitos. A Sesapi orienta ainda que situações suspeitas sejam comunicadas aos serviços de saúde para permitir a investigação epidemiológica.
Caso continua sob investigação
Apesar do resultado reagente obtido no Instituto Evandro Chagas, a Sesapi reforça que o registro do Piauí deve ser tratado neste momento como caso provável, e não como caso confirmado. A definição dependerá do resultado do teste complementar. O Ministério da Saúde informou que mantém, em conjunto com estados e municípios, a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e possíveis áreas de circulação da Febre do Nilo Ocidental no país.