Gestantes do Piauí podem ter acesso à teleinterconsulta em obstetrícia por meio do Programa Piauí Saúde Digital, da Secretaria da Saúde do Piauí (Sesapi). O serviço permite que profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) consultem um médico obstetra de forma remota para auxiliar na avaliação e no acompanhamento da gestante.
Apesar de ser realizado por meio de tecnologia, o atendimento não é uma consulta feita pela gestante diretamente com o obstetra pela internet. A teleinterconsulta acontece dentro da própria UBS e envolve a participação de um médico ou enfermeiro da Estratégia Saúde da Família, que apresenta ao especialista as informações clínicas, os exames e outros dados necessários para a avaliação.
A proposta é ampliar o acesso à avaliação especializada e facilitar a comunicação entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Atenção Ambulatorial Especializada. Quando o atendimento remoto for indicado, a gestante pode ser avaliada por um obstetra sem precisar se deslocar para outro município apenas para obter uma orientação especializada.
Como funciona a consulta remota em obstetrícia?
Na prática, a teleinterconsulta começa na Unidade Básica de Saúde onde a gestante realiza o acompanhamento. O atendimento é conduzido com a presença de um profissional da Estratégia Saúde da Família, que pode ser médico ou enfermeiro.
Durante a consulta, esse profissional reúne e apresenta ao médico obstetra as informações clínicas da gestante, além dos exames disponíveis. A partir desses dados, o especialista realiza a avaliação à distância e orienta a equipe da unidade sobre a condução do caso.
Dessa forma, a tecnologia é utilizada para aproximar a equipe da Atenção Primária de um médico especialista, permitindo uma avaliação conjunta e o compartilhamento de informações sobre a gestação.
O serviço é especialmente importante para situações em que a equipe da UBS necessita de uma avaliação obstétrica especializada, mas a presença física da gestante em outro município não é necessária naquele momento.
Quem pode ter acesso?
A teleinterconsulta em obstetrícia é destinada a gestantes classificadas como de alto risco e também a gestantes de risco habitual em situações especiais.
Para utilizar o serviço, a gestante precisa estar cadastrada no Prontuário Eletrônico (PEC/e-SUS APS) e na Plataforma Piauí Primeira Infância.
Isso significa que o acesso ao atendimento não ocorre por meio de um agendamento individual feito diretamente pela gestante com o médico obstetra. A porta de entrada é a própria Unidade Básica de Saúde, onde a equipe responsável pelo acompanhamento avalia a necessidade de utilizar a teleinterconsulta.
Por isso, a gestante que deseja saber se pode ser atendida pelo serviço deve procurar a UBS onde realiza o pré-natal e conversar com a equipe de saúde responsável pelo acompanhamento.
Qual é o prazo para o atendimento?
O tempo previsto para a avaliação depende da classificação da gestação.
Nos casos de gestantes classificadas como de alto risco, a avaliação por meio da teleinterconsulta está prevista para ocorrer em até 72 horas.
Já para gestantes de risco habitual em situações especiais, o prazo previsto para a avaliação é de até sete dias.
A definição sobre a necessidade da teleinterconsulta é feita pela equipe de saúde que acompanha a gestante na Atenção Primária. O atendimento remoto, portanto, funciona como uma ferramenta de apoio à decisão clínica e não como substituição automática do acompanhamento presencial.
Gestante precisa ir até a UBS?
Sim. Como a teleinterconsulta é realizada entre profissionais de saúde, a gestante deve estar na Unidade Básica de Saúde durante o atendimento quando essa modalidade for indicada.
No local, ela será acompanhada por um médico ou enfermeiro da Estratégia Saúde da Família, enquanto a equipe estabelece contato remoto com o obstetra.
Esse formato permite que o especialista tenha acesso às informações disponíveis no prontuário, aos resultados de exames e aos dados clínicos apresentados pelo profissional da unidade.
A iniciativa também pode facilitar o acesso à avaliação especializada em municípios onde não há médico obstetra disponível de forma presencial, reduzindo deslocamentos desnecessários para outras cidades.
Teleinterconsulta substitui o pré-natal presencial?
Não. A teleinterconsulta em obstetrícia não substitui as consultas presenciais de rotina realizadas na Unidade Básica de Saúde.
O acompanhamento pré-natal continua sendo realizado pela equipe responsável pela gestante na Atenção Primária. A consulta remota com o obstetra funciona como uma ferramenta complementar para situações em que a equipe precisa de uma avaliação especializada.
Da mesma forma, quando houver indicação clínica de avaliação presencial, a gestante deverá ser encaminhada para o serviço adequado. Dependendo da situação, isso pode incluir maternidades ou serviços especializados de pré-natal de alto risco.
Em casos de urgência ou emergência, a gestante não deve aguardar uma teleinterconsulta. Nessas situações, é necessário procurar imediatamente o serviço de atendimento presencial indicado pela rede de saúde.
Como a gestante pode ter acesso ao serviço?
Para ter acesso à teleinterconsulta em obstetrícia, a gestante deve procurar a Unidade Básica de Saúde onde realiza ou pretende realizar o acompanhamento pré-natal. A equipe da Estratégia Saúde da Família fará a avaliação do caso e, quando houver indicação, poderá utilizar o serviço de teleinterconsulta com um médico obstetra.
É necessário que a gestante esteja cadastrada no Prontuário Eletrônico (PEC/e-SUS APS) e na Plataforma Piauí Primeira Infância. A partir do atendimento na UBS, a equipe pode apresentar o caso ao especialista, compartilhar as informações clínicas e os exames disponíveis e receber orientações para a continuidade do acompanhamento.
Assim, o serviço do Piauí Saúde Digital busca aproximar a atenção especializada das gestantes atendidas na rede pública, utilizando a telessaúde para apoiar as equipes que atuam nos municípios e facilitar o acesso à avaliação obstétrica quando o atendimento remoto for adequado.