O ex-ator Mário Gomes, candidato a deputado estadual, apareceu ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um vídeo no qual defende a presença do Exército nas ruas para, segundo ele, promover um “choque de ordem” no país. Durante a gravação, o ex-ator afirma que considera Flávio o “futuro presidente do Brasil” e pede que ele adote medidas mais rígidas na área da segurança pública.
“Então, estou aqui com o futuro presidente do Brasil, que a gente precisa, meu Deus do céu, tá? E a gente vai colocar o exército na rua para dar um choque de ordem, para acabar. Vou pedir a ele para fazer isso, tenho certeza que ele vai colaborar com todo mundo”, afirmou Mário Gomes.
Flávio Bolsonaro aparece ao lado do candidato e não contesta a proposta de utilização do Exército. O senador afirma que pretende endurecer a legislação penal e apresenta propostas relacionadas à segurança pública.
“Se enfrentar a nossa polícia, vai ser preso ou vai ser neutralizado”, afirmou Flávio.
A declaração ocorre durante o período de campanha eleitoral de 2026, no qual Mário Gomes tenta uma vaga de deputado estadual. O ex-ator, que se aproximou do campo político associado ao bolsonarismo nos últimos anos, passou a utilizar as redes sociais para manifestar posicionamentos políticos e defender pautas ligadas à direita.
Mário Gomes relata episódio envolvendo sua antiga casa
No mesmo vídeo, Mário Gomes também menciona um episódio relacionado à perda de um imóvel que possuía na praia de Joatinga, no Rio de Janeiro.
O ex-ator afirma que homens entraram em sua residência e descreve a situação como traumática.
“Entraram na minha casa, com sete homens dentro da minha casa, uma coisa horrorosa”, relatou.
O que não aparece na declaração é que o imóvel foi levado a leilão para o pagamento de dívidas trabalhistas. A propriedade foi perdida em 2024, após uma decisão relacionada a débitos de uma confecção que Mário Gomes mantinha no Paraná.
A dívida estava relacionada a ações trabalhistas movidas por 84 costureiras que trabalhavam na empresa. Segundo informações divulgadas na época pelo jornal Extra, o imóvel era avaliado em mais de R$ 20 milhões, mas acabou arrematado por R$ 720 mil.
A propriedade localizada em Joatinga foi, portanto, utilizada para quitar parte das obrigações trabalhistas decorrentes do processo.
Ex-ator responsabilizou governo pela perda do imóvel
Na época do despejo, Mário Gomes atribuiu a perda da casa ao governo e fez críticas à esquerda.
“Faltou honestidade. Um governo que não seja corrupto nem assombração”, afirmou ele ao fotógrafo Sandro Cardozo, que acompanhou o momento do despejo.
Em outro relato, o ex-ator voltou a responsabilizar o campo político de esquerda pela situação.
“Tomaram a minha única casa em um leilão cabuloso, com um valor absurdo. Me sinto uma pessoa que está sendo tomado pela esquerda. É uma dor imensa, um sentimento absurdo. Por enquanto, estou na casa da minha filha. Vamos ver se vai ter espaço para eu dormir em cima de um teto qualquer, porque não tem espaço. Minha filha mora de aluguel, e lá não tem espaço. A princípio, eu estou na rua, debaixo da ponte”, afirmou.
Mário Gomes também contou que precisou deixar alguns pertences na casa de amigos e vizinhos após deixar o imóvel.
“Tem que chorar para desabafar. Já tomei cinco calmantes”, desabafou na ocasião.
Dívida trabalhista motivou leilão
A perda do imóvel ocorreu no contexto de um processo trabalhista envolvendo a antiga confecção mantida pelo ex-ator no Paraná. As trabalhadoras cobravam valores relacionados aos direitos trabalhistas, e o imóvel foi levado a leilão para garantir o pagamento das dívidas.
A situação ganhou repercussão nacional por envolver uma propriedade de alto valor na região de Joatinga e pela diferença entre a avaliação do imóvel e o valor pelo qual ele acabou arrematado.
Mário Gomes, por sua vez, passou a associar publicamente a perda da residência a questões políticas, embora o leilão tenha ocorrido em decorrência de dívidas trabalhistas reconhecidas judicialmente.
Agora, durante a campanha eleitoral, o ex-ator volta a ocupar espaço no debate político ao lado de Flávio Bolsonaro. No vídeo, além de defender a atuação do Exército nas ruas, ele manifesta apoio à candidatura do senador à Presidência da República e reforça seu discurso voltado à segurança pública e ao combate à criminalidade.
As declarações de Mário Gomes e Flávio Bolsonaro integram o debate eleitoral sobre segurança pública, especialmente em relação ao papel das forças policiais e das Forças Armadas no combate à criminalidade.