A Polícia Federal (PF) avalia solicitar a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional utilizado para rastrear patrimônios e ativos financeiros mantidos no exterior. A medida é analisada no âmbito das investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo as apurações, ainda não há um pedido formal para a utilização do mecanismo, mas investigadores consideram recorrer à ferramenta caso os instrumentos tradicionais de cooperação jurídica internacional não sejam suficientes para localizar recursos eventualmente enviados para outros países. A difusão prateada é voltada exclusivamente à identificação de bens e valores relacionados a investigações criminais, diferentemente da difusão vermelha, destinada à localização de pessoas procuradas pela Justiça.
O caso tem como foco um repasse de aproximadamente R$ 61 milhões realizado por Daniel Vorcaro para financiar a produção do longa-metragem. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que entendeu haver elementos para aprofundar as investigações.
Além de investigar o destino dos recursos destinados ao filme, a Polícia Federal passou a cruzar as transferências financeiras com emendas parlamentares apresentadas por Flávio Bolsonaro. O objetivo é verificar se houve eventual favorecimento político relacionado aos aportes feitos por Vorcaro. A investigação também foi ampliada para incluir movimentações financeiras entre o Brasil e o estado do Texas, nos Estados Unidos, além de apurar a participação de outras pessoas ligadas ao caso.
As suspeitas ganharam força após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro conversa com Daniel Vorcaro sobre recursos destinados ao filme. A partir desse material, os investigadores passaram a analisar se parte do dinheiro enviado ao exterior teve finalidade diferente da declarada, incluindo a possibilidade de custear despesas nos Estados Unidos. Essas hipóteses seguem sob investigação e ainda não tiveram conclusão definitiva.
Em nota divulgada anteriormente, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que os recursos foram destinados exclusivamente ao financiamento da produção cinematográfica, por meio de um fundo com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos. O senador também negou que os valores tenham sido utilizados para beneficiar terceiros.
Caso a Polícia Federal formalize o pedido de inclusão dos investigados na difusão prateada, a medida dependerá de manifestação da Procuradoria-Geral da República e de autorização do Supremo Tribunal Federal. O mecanismo permite que países integrantes da Interpol cooperem na identificação e localização de patrimônios e ativos financeiros vinculados a investigações criminais internacionais.