Lula embarca para Nova York e deve levar defesa da soberania à Assembleia da ONU

Presidente brasileiro fará o primeiro discurso do debate geral na terça-feira (22), seguindo tradição mantida pelo Brasil desde 1955

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Na terça-feira (22), Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar no debate geral, seguindo a tradição que reserva ao Brasil a abertura dos pronunciamentos desde 1955.

Entre os temas que devem aparecer na fala do presidente estão a defesa da soberania nacional, da democracia e do princípio de não interferência nos assuntos internos dos países. A viagem ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos e de discussões envolvendo as eleições brasileiras de 2026.

A agenda de Lula em Nova York ocorre durante a chamada Semana de Alto Nível da ONU. O debate geral reunirá representantes dos 193 países-membros entre 22 e 28 de setembro, com chefes de Estado e de governo apresentando suas prioridades diante de questões internacionais.

O tema oficial desta edição é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A programação prevê discussões sobre cooperação internacional, paz, desenvolvimento sustentável e outros desafios globais.

Soberania e democracia

A defesa da soberania é um tema que já apareceu em discursos anteriores de Lula na ONU. Em 2024, durante a abertura da 79ª Assembleia Geral, o presidente afirmou que o Brasil não abdicaria de sua soberania e relacionou o conceito à capacidade do Estado de legislar, julgar disputas e fazer cumprir as regras dentro de seu território.

Na edição deste ano, a questão ganha novo contexto diante das relações entre Brasília e Washington. O governo brasileiro tem defendido a autonomia das instituições nacionais e o direito de o país conduzir seu processo político e eleitoral sem interferência externa.

O tema também aparece no debate internacional sobre democracia e instituições. A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo e representativo da ONU, reunindo os 193 Estados-membros, cada um com direito a um voto.

Reforma da ONU e conflitos internacionais

Além das questões relacionadas à soberania, a política externa brasileira tradicionalmente defende o fortalecimento do multilateralismo e a reforma das instituições internacionais.

Em discursos anteriores, Lula também cobrou mudanças no Conselho de Segurança da ONU, com ampliação da representação de países e regiões que não ocupam atualmente assentos permanentes.

A programação da 81ª Assembleia Geral inclui ainda encontros de alto nível sobre desenvolvimento, mudanças climáticas, elevação do nível do mar, prevenção e resposta a pandemias e combate à discriminação.

Brasil abre novamente o debate

A abertura do debate geral pelo Brasil é uma tradição diplomática que se mantém desde 1955. Depois do pronunciamento brasileiro, é a vez do país anfitrião, os Estados Unidos. Cada Estado-membro dispõe de 15 minutos para seu discurso, embora o tempo possa variar.

A programação oficial da ONU prevê o início do debate geral na terça-feira (22), na sede da organização, em Nova York. A agenda seguirá até o dia 28, com a participação de líderes dos países-membros.