O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, defendeu a integração entre União, estados e municípios como estratégia para enfrentar o crime organizado no Brasil. A declaração ocorreu nessa sexta-feira (18), durante uma agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, voltada à apresentação de ações conjuntas na área de segurança.
Para Chico Lucas, o combate às organizações criminosas depende de uma atuação menos fragmentada entre as instituições. A proposta envolve o compartilhamento de informações, uso de inteligência, tecnologia e operações coordenadas entre as diferentes forças de segurança.
A discussão ocorre em meio à ampliação de operações integradas no país. Na quarta-feira (16), as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) realizaram uma ação simultânea em 20 estados. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a operação terminou com 137 prisões, cumprimento de 173 mandados de busca e apreensão e cerca de R$ 510 milhões em valores e bens apreendidos.
As Ficcos reúnem diferentes forças de segurança em ações voltadas principalmente ao enfrentamento de organizações criminosas, tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro. Para Chico Lucas, o trabalho conjunto amplia a capacidade de investigação e de identificação das estruturas utilizadas pelas facções.
Tecnologia no combate ao crime
A integração defendida pelo secretário também passa pelo uso de ferramentas tecnológicas e pelo cruzamento de bancos de dados.
Um dos exemplos é o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), criado por decreto em junho deste ano. A base reúne informações sobre aparelhos roubados ou furtados e passou a integrar o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
O banco é administrado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública e tem entre suas finalidades apoiar a prevenção, investigação e repressão de crimes relacionados ao roubo, furto, receptação e comercialização ilegal de celulares.
A ferramenta faz parte das medidas adotadas pelo governo federal dentro do programa Celular Seguro e permite concentrar informações que podem ser utilizadas pelas forças de segurança de diferentes estados.
No Rio de Janeiro, a estratégia de integração também prevê ações conjuntas em áreas consideradas estratégicas, como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Linha Amarela e os acessos ao Porto do Rio e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
Entre as medidas estão o compartilhamento de informações de inteligência, apoio a investigações, análise patrimonial e utilização de recursos como cercamento eletrônico, leitores automáticos de placas, drones e centros integrados de comando e controle.
Loading...
Experiência do Piauí
A defesa de uma segurança pública baseada em inteligência e integração também marca a trajetória de Chico Lucas antes de chegar ao governo federal.
Ele comandou a Secretaria da Segurança Pública do Piauí e ficou associado à adoção de ferramentas de tecnologia, análise de dados e integração entre as forças policiais. A experiência desenvolvida no estado passou a fazer parte do discurso utilizado pelo secretário ao tratar de estratégias nacionais de enfrentamento à criminalidade.
Agora, à frente da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas participa da formulação e coordenação de iniciativas que buscam ampliar esse modelo de atuação entre diferentes órgãos e governos.
Integração como política nacional
A proposta também está relacionada ao fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que estabelece mecanismos de cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios.
Durante a agenda no Rio, Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, que trata da organização das competências dos diferentes níveis de governo e da ampliação da cooperação na área.
A estratégia apresentada pelo governo federal coloca o compartilhamento de informações e a atuação coordenada entre as instituições como ferramentas para investigar organizações criminosas, atingir estruturas financeiras e ampliar a capacidade de prevenção e repressão aos crimes.
A ideia é fazer com que operações conjuntas e o uso integrado de dados deixem de depender apenas de iniciativas pontuais e passem a fazer parte da rotina das forças de segurança em diferentes regiões do país.