Janja diz que Piauí é exemplo nacional na redução de casos de feminicídio

Primeira-dama destacou queda de 60% nos feminicídios no primeiro semestre de 2026, defendeu a integração entre os poderes e afirmou que "o único número aceitável para o feminicídio é zero"

A primeira-dama Janja da Silva afirmou, nesta quinta-feira (30), em Teresina, que o Piauí é exemplo para o Brasil na redução dos casos de feminicídio. Durante a cerimônia de adesão ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, ela destacou a queda de 60% no número de assassinatos de mulheres no estado no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, e defendeu a integração entre os poderes para fortalecer a proteção às vítimas de violência.

Em um discurso de cerca de 20 minutos, a primeira-dama iniciou a fala lembrando mulheres vítimas de feminicídio no Piauí, entre elas Francisca, Larissa Cordeiro Pereira e Patrícia Maria da Silva. Segundo a primeira-dama, citar os nomes das vítimas é uma forma de preservar suas histórias e evitar que elas sejam reduzidas a estatísticas.

"Todas as vezes que eu inicio uma fala trazendo o nome de vítimas é para que nunca esqueçamos que por trás de cada número existe um rosto, uma história, uma família, uma dor que poderia ser evitada."

A primeira-dama elogiou o trabalho desenvolvido no estado e afirmou que as políticas públicas implementadas podem servir de referência nacional.

"Segundo os dados do Observatório da Mulher Piauiense, no primeiro semestre de 2026 foram registrados 10 feminicídios no Estado. E eu estou muito feliz, governador. Eu quero parabenizar a rede do Estado do Piauí, porque isso é uma redução de 60% em relação ao mesmo período de 2025. Então eu quero dizer que o Piauí está sendo exemplo para o Brasil."

Primeira-dama Janja da Silva ao lado do governador Rafael Fonteles | Foto: Piauí Hoje 

A primeira-dama ressaltou que o enfrentamento ao feminicídio depende da atuação conjunta dos governos, do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e das forças de segurança. Ela destacou ainda a redução no tempo de análise das medidas protetivas de urgência, que, segundo ela, passaram de cerca de 16 dias para, no máximo, três dias, sendo que, na maioria dos casos, são concedidas no mesmo dia.

Apesar dos avanços, Janja afirmou que nenhuma estatística pode ser considerada satisfatória enquanto mulheres continuarem sendo assassinadas.

"A gente não pode se acostumar com nenhuma estatística. Por mais utópico que possa parecer, o único número aceitável para o feminicídio é o zero, zero."

Durante o pronunciamento, a primeira-dama também defendeu mudanças culturais para combater a violência de gênero e destacou a importância da educação desde a infância.

"Nós precisamos educar nossos meninos para o respeito, fortalecer nossas meninas para que conheçam seus direitos e construir uma sociedade onde nenhuma mulher precise sentir medo de voltar para casa, de amar, de trabalhar ou de desistir."Primeira-dama Janja da Silva ao lado de autoridades | Foto: Piauí Hoje A primeira-dama ainda citou o caso da estudante de Jornalismo Janaína da Silva, de 22 anos, assassinada e vítima de estupro e feminicídio dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), e relembrou a adolescente Daniela, de 17 anos, assassinada em 2015 em Castelo do Piauí. Segundo ela, episódios como esses não podem continuar acontecendo no país.

Ao final do discurso, a primeira-dama reforçou que o combate ao feminicídio não deve ser tratado como uma pauta ideológica, mas como um compromisso coletivo em defesa da vida das mulheres.