A Justiça do Piauí manteve, durante audiência de custódia realizada nesse sábado (11), a prisão temporária do trader Douglas Fonseca Araújo, proprietário da empresa DF Group, e de outros 10 investigados suspeitos de integrar um esquema de golpes financeiros que teria feito mais de 70 vítimas e movimentado R$ 100 milhões em dois anos no Piauí.
A informação foi confirmada pelo advogado Djalma Filho, responsável pela defesa de Douglas e de Ícaro Teixeira de Sousa, também investigado na operação. A prisão temporária tem prazo inicial de cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período, conforme prevê a legislação.
Após a audiência, Douglas e outros seis homens foram encaminhados para a Cadeia Pública de Altos. As quatro mulheres presas na operação foram transferidas para a Penitenciária Feminina de Teresina.
Os presos foram identificados como: Douglas Fonseca Araújo (CEO), Ícaro Teixeira de Sousa, Milena Alves Torres, Viviane Alves da Silva, Eduardo Lima de Sousa, Jaquenilson Alvino de Sousa Abreu, Janda Maira de Sousa Silva, Caio Guilherme Campelo, Caio Fonseca Araújo e Vitória Gabriel Conceição Fonseca.
Esquema teria feito mais de 70 vítimas
As prisões ocorreram na última sexta-feira (10), durante uma operação da Superintendência de Operações Integradas (SOI), da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, que cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da DF Group, localizada na zona Leste de Teresina.
Os investigados deverão responder pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com o delegado Roni Silveira, da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), as investigações apontam que o grupo criminoso lesou mais de 70 investidores e movimentou aproximadamente R$ 100 milhões por meio da empresa.
Segundo a Polícia Civil, Douglas se apresentava como trader com mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro e oferecia investimentos com promessa de rentabilidade de até 10% ao mês. Para os investigadores, esse percentual seria incompatível com operações financeiras regulares e fazia parte da estratégia para atrair novos investidores.
Polícia aponta indícios de pirâmide financeira
As investigações também apontam que a DF Group não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar na captação de investimentos. Conforme a polícia, o modelo de negócio funcionaria como uma pirâmide financeira, em que os pagamentos aos investidores antigos dependiam da entrada constante de novos clientes.
Ainda segundo os investigadores, Douglas utilizava as redes sociais para exibir uma rotina de luxo, com veículos de alto padrão e outros bens, estratégia que teria contribuído para transmitir credibilidade e conquistar novos investidores.
Carros de luxo, armas e joias foram apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam 11 veículos, incluindo carros de luxo, além de armas de fogo, relógios, joias, documentos e outros materiais considerados importantes para a investigação. O escritório utilizado pela empresa também foi interditado por determinação da polícia.
O superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, informou que a repercussão da operação fez com que novas vítimas procurassem as autoridades para denunciar o suposto golpe.
"Várias vítimas já entraram em contato e devem vir registrar o Boletim de Ocorrência", afirmou.
A Secretaria de Segurança Pública orienta que pessoas que tenham investido na empresa e se considerem prejudicadas registrem ocorrência por meio do canal BO Fácil, disponível pelo WhatsApp no número 0800 086 0190, ou procurem qualquer delegacia da Polícia Civil ou a Superintendência de Defesa e Proteção do Consumidor (Sudecon).
Investidores relataram dificuldades para resgatar dinheiro
As investigações começaram após denúncias de clientes que afirmaram não conseguir sacar os valores investidos. Segundo os relatos, a empresa deixou de cumprir os pagamentos prometidos e passou a dificultar o contato com os investidores.
Em junho deste ano, a defesa da DF Group informou que os clientes enfrentavam dificuldades para retirar os recursos aplicados, mas negou a existência de fraude. Com o avanço das investigações e a prisão dos suspeitos, a Polícia Civil continua apurando a extensão do esquema, o número total de vítimas e o prejuízo financeiro causado.