Grupo neonazista planejava explodir Palácio do Planalto com Lula dentro, diz polícia

Investigação da Operação Rede Interrompida identificou planos de ataques em Brasília e levou a buscas em cinco estados

Um grupo neonazista investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) planejava realizar ataques contra prédios públicos em Brasília e tinha o Palácio do Planalto entre os principais alvos, segundo as investigações da Operação Rede Interrompida. Conforme os investigadores, o plano previa uma ação durante o período eleitoral e havia suspeita de que o objetivo incluía atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro da sede do governo federal.

A operação foi deflagrada na terça-feira (4) e cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cidades de cinco estados. A investigação apontou que os integrantes do grupo mantinham conversas pela internet e utilizavam plataformas digitais para organizar ações violentas, disseminar conteúdo neonazista e compartilhar informações relacionadas aos ataques planejados.

Além do Palácio do Planalto, os investigados teriam discutido ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e contra o prédio onde ocorreria o debate do segundo turno das eleições. A apuração identificou ainda referências a outros prédios públicos localizados na região central de Brasília.

Grupo atuava pela internet

Segundo a investigação, os integrantes tinham entre 19 e 31 anos e não haviam se encontrado presencialmente. A articulação ocorria exclusivamente no ambiente virtual, principalmente em grupos do Telegram.

Um dos grupos reunia mais de 600 participantes e apresentava símbolos ligados ao nazismo. A partir dele, integrantes considerados mais radicalizados eram direcionados para um grupo restrito, onde, de acordo com as autoridades, eram discutidos planos concretos de violência.

Os investigadores encontraram mensagens relacionadas à escolha de alvos, preparação de ações e movimentação em Brasília. Também foram identificados mapas e representações de prédios públicos, além de materiais que, segundo a polícia, demonstravam que os integrantes buscavam transformar as ameaças feitas na internet em ações concretas.

O delegado Maurílio Coelho, coordenador de Inteligência da PCDF, afirmou que o grupo chegou a compartilhar informações sobre a estrutura do Palácio do Planalto para discutir uma possível ação.

“A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui.”

Para as autoridades, o conteúdo encontrado demonstrava que a atuação do grupo ultrapassava manifestações de ódio ou opiniões extremistas publicadas nas redes sociais.

O ministro Wellington César Lima e Silva também destacou a gravidade das conversas identificadas durante a investigação.

“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios.”

Ataques seriam realizados em Brasília

A investigação aponta que os suspeitos pretendiam realizar uma ação de grande impacto na capital federal. O Palácio do Planalto aparecia como um dos principais alvos, com a possibilidade de atingir o presidente Lula caso ele estivesse no local.

Também havia discussões sobre um ataque ao edifício que receberia o debate do segundo turno das eleições. Para os investigadores, os planos tinham como objetivo provocar violência e atingir instituições consideradas símbolos do Estado brasileiro.

As autoridades passaram a acompanhar as comunicações do grupo depois que informações levantadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública chegaram à Polícia Civil do Distrito Federal.

A investigação contou com o apoio do Ciberlab, laboratório especializado no combate a crimes praticados no ambiente digital. A estrutura foi utilizada para analisar as comunicações e identificar o nível de organização dos envolvidos.

Buscas foram realizadas em cinco estados

Na terça-feira (4), policiais cumpriram oito mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Durante a operação, foram apreendidos computadores, celulares, materiais de propaganda nazista, facas e armas de fogo. A análise dos equipamentos eletrônicos deve ajudar os investigadores a identificar a extensão da rede e verificar se os suspeitos haviam avançado para outras etapas do planejamento.

O relatório produzido a partir do monitoramento apontou a presença de conteúdo neonazista, racista, homofóbico e misógino, além de incentivo à violência. Segundo as autoridades, os administradores dos grupos buscavam identificar participantes que estariam dispostos a praticar ações violentas.

Investigação continua

Nesta etapa da Operação Rede Interrompida, a estratégia das autoridades foi concentrar as medidas na coleta de provas e na identificação da estrutura do grupo. Os equipamentos apreendidos continuam sendo analisados pela polícia.

Os investigados podem responder por crimes relacionados à associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime, conforme o avanço da investigação e a análise das provas reunidas.

A polícia também deverá verificar se o grupo possuía capacidade operacional para colocar em prática os ataques planejados e se outros integrantes participaram da articulação.

O caso chama atenção das autoridades para o uso de ambientes digitais como espaço de recrutamento e radicalização. Para o ministro Wellington César Lima e Silva, o monitoramento dessas redes é necessário para identificar ameaças antes que elas resultem em ações violentas.

“A internet representa um número muito expressivo das ocorrências criminais”, afirmou.