O cenário do transporte público em Teresina ganhou um novo capítulo nesta terça-feira com o anúncio do prefeito Silvio Mendes sobre a intenção de contratar um empréstimo de R$ 95 milhões junto à Caixa Econômica Federal para renovação da frota de ônibus da capital. A proposta, no entanto, já encontra eco e também contrapontos na Câmara Municipal.
O vereador João Pereira, presidente do PT em Teresina, confirmou que acompanha as negociações e adiantou a posição do partido: o financiamento é bem-vindo, mas a gestão dos novos veículos não pode ser entregue ao consórcio privado que hoje opera o sistema. "Estamos trabalhando na sequência para que todo esse transporte público seja gerenciado pela prefeitura e não entregue ao CETUT. É isso que nós estamos querendo", afirmou o parlamentar.
Empresa municipal e tarifa zero
A ideia defendida por João Pereira é que o município crie uma espécie de empresa pública para administrar a frota adquirida com os recursos do financiamento. O movimento se alinha à defesa histórica do PT pela implantação da tarifa zero no transporte coletivo, modelo que já é realidade em cidades administradas pela legenda e também no Metrô de Teresina.
O sistema metroviário da capital, que recentemente recebeu novos VLTs e passa por ampla modernização com investimentos superiores a R$ 531 milhões, opera com tarifa zero desde o ano passado, medida que já dobrou a demanda para mais de 10 mil passageiros por dia. O governador Rafael Fonteles já garantiu que a gratuidade no metrô será mantida enquanto ele estiver à frente do Executivo estadual.
Alinhamento com a bancada
Segundo o vereador, a proposta de municipalização da gestão dos ônibus e da tarifa zero encontra respaldo entre a maioria dos parlamentares da Casa, principalmente entre os correligionários do PT.
A discussão ganha força no PT porque o presidente estadual da legenda, deputado Fábio Novo, defende publicamente que o transporte público da capital precisa de planejamento e gestão para, a médio prazo, chegar à gratuidade universal da tarifa.
Por ora, a prioridade apontada por João Pereira é viabilizar o financiamento junto à Caixa para aquisição dos ônibus, que devem substituir parte da frota atual, hoje composta por cerca de 200 veículos em operação, menos da metade do considerado necessário para atender a demanda da capital. A partir daí, a disputa política se concentrará no modelo de gestão dos novos coletivos.