Em menos de seis meses, os animais soltos em rodovias do Piauí provocaram a morte de 34 pessoas. Os acidentes fatais costumam ocorrer durante a noite, quando a baixa visibilidade aumenta o risco de colisões com cavalos, bois e outros animais de grande porte.
Os números foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) e correspondem ao período entre janeiro e 15 de julho deste ano. O levantamento reforça a preocupação das autoridades com a presença constante de animais nas rodovias estaduais e federais.
Outro dado que chama a atenção é a quantidade de animais retirados das estradas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 1.883 animais foram recolhidos das rodovias federais do estado até o início de julho.
O número já representa cerca de 60% de todo o volume registrado em 2025, quando 3.197 animais foram retirados das pistas ao longo de todo o ano. A estatística evidencia que o problema permanece frequente e exige atenção tanto dos órgãos de fiscalização quanto dos proprietários dos animais.
Como agir ao encontrar um animal na pista
A Polícia Rodoviária Federal orienta que a principal medida para evitar acidentes é reduzir a velocidade assim que o motorista perceber a presença de um animal na rodovia. Antes de frear, no entanto, é importante verificar pelo retrovisor se o veículo que vem atrás está a uma distância segura para evitar colisões traseiras.
Outra recomendação é evitar buzinar ou utilizar o farol alto, pois essas atitudes podem assustar o animal e fazê-lo correr em direção ao veículo. Sempre que possível, a ultrapassagem deve ser feita lentamente e por trás do animal, mantendo distância segura.
Durante a manobra, os vidros devem permanecer fechados e o veículo deve seguir em marcha reduzida. Após passar pelo local, o motorista pode alertar os demais condutores piscando os faróis e comunicar a ocorrência ao posto policial mais próximo.
Quando a colisão com um animal de grande porte, como um cavalo ou uma vaca, for inevitável, a orientação é tentar evitar um impacto frontal direto, desde que a manobra não coloque outros veículos em risco. Também é recomendado frear ao avistar o animal e aliviar o pedal do freio no momento da colisão inevitável, reduzindo as chances de perda do controle do veículo.
Além disso, os motoristas devem redobrar a atenção em trechos com canteiros centrais, regiões sinalizadas com placas indicando a presença de animais silvestres e locais com pouca iluminação. Manter distância segura do veículo à frente, respeitar os limites de velocidade, realizar revisões periódicas e utilizar sempre o cinto de segurança também são medidas essenciais para prevenir acidentes.
Nova lei reforça prevenção e fiscalização
Em fevereiro deste ano, o Governo do Estado do Piauí sancionou uma lei que criou a Política Estadual de Prevenção e Resposta aos Sinistros de Trânsito envolvendo Animais. A norma prevê ações integradas entre órgãos de segurança, trânsito, meio ambiente, agricultura e transportes para reduzir acidentes causados por animais soltos nas vias.
A legislação também determina campanhas educativas, melhorias na sinalização, divulgação de relatórios periódicos e endurece as regras para os proprietários. Após a apreensão do animal, o dono tem cinco dias para fazer o resgate mediante pagamento de multa, que varia conforme o porte do animal: 100 UFIR-PI para animais de médio porte e 300 UFIR-PI para os de grande porte. Atualmente, a UFIR-PI está fixada em R$ 4,95. A medida busca fortalecer a fiscalização e reduzir o número de acidentes nas rodovias piauienses.