No Dia da Amazônia, comemorado em 5 de setembro, especialistas enfatizam a importância de investir na restauração de terras indígenas. A iniciativa vai além do simples plantio de árvores, abrangendo a proteção de nascentes, a segurança alimentar e o fortalecimento de conhecimentos tradicionais.
O Brasil, durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), comprometeu-se a restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados de áreas até 2030. Parte desse esforço se concentrará em territórios indígenas.
De acordo com dados de 2022 do TerraClass, as terras indígenas na Amazônia têm 952,3 mil hectares de áreas degradadas. Outros 24,4 mil hectares são usados para agricultura e 18,9 mil para mineração, enquanto 840,5 mil hectares possuem vegetação secundária, totalizando 1,79 milhão de hectares com potencial de restauração.
Diana Nascimento, especialista em restauração da TNC Brasil e pertencente ao povo Kaingang, argumenta que a medição de sucesso não deve focar apenas em hectares recuperados. A participação ativa dos povos indígenas redefine o conceito de restauração, valorizando a relação da comunidade com o território.
A Funai, em parceria com a TNC Brasil, Coiab e o programa UK PACT, desenvolveu um sistema para auxiliar na definição de áreas prioritárias. O sistema considera diversos fatores, como degradação, biodiversidade e segurança hídrica, permitindo decisões fundamentadas e personalizadas.
Guillermo Florez Montero, da TNC Brasil, explica que, embora o sistema ofereça um índice comparativo, as decisões finais devem respeitar as prioridades das comunidades locais. A combinação de conhecimentos técnicos e tradicionais é essencial para um planejamento eficaz.