Fundo Brasil busca levar recursos a povos tradicionais

Diretora Allyne Andrade destaca a conexão entre filantropia e direitos humanos diante das desigualdades sociais.

A diretora executiva do Fundo Brasil, Allyne Andrade, trabalha para direcionar recursos e apoio técnico a povos e comunidades tradicionais diante dos desafios climáticos. No cargo desde maio, a advogada e ativista antirracista busca integrar iniciativas sociais, acadêmicas e profissionais para enfrentar a desigualdade social no Brasil.

Em entrevista, Allyne ressaltou que, apesar das discussões globais sobre o clima, os recursos ainda não chegam adequadamente às comunidades mais afetadas, que são também as responsáveis pela preservação dos territórios brasileiros. O Fundo Brasil, fundado por ativistas, foca em minimizar essa lacuna financeira.

Entre os projetos, o programa Raízes promove justiça climática com doações diretas para indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais. Allyne explicou que as escolhas de projetos são feitas por meio de um processo participativo, envolvendo comitês externos especializados.

Além das doações estruturantes, o Fundo oferece apoio emergencial para situações como conflitos territoriais e eventos climáticos severos, como os ocorridos no Rio Grande do Sul.

O Fundo Brasil, que completará 20 anos em 2026, já doou R$ 141 milhões a cerca de 2,5 mil iniciativas, com um foco crescente em justiça climática desde 2023. Além disso, atua em frentes como direitos trabalhistas e combate ao racismo e à violência de gênero.

Allyne enfatiza a necessidade de fortalecer a sociedade civil e a democracia no Brasil, destacando a importância de repensar os direitos humanos em uma perspectiva decolonial e inclusiva. A fundação planeja uma conferência para discutir os desafios futuros dos direitos humanos e da filantropia no país.