O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias (PT), estaria decidido a retornar ao Senado para retomar suas atividades políticas mais intensas no Piauí. A avaliação nos bastidores é que o distanciamento das bases estaduais em função do trabalho na Esplanada dos Ministérios tem custado espaço político ao ministro, que enxerga no retorno ao Congresso a chance de reconquistar território e reforçar sua influência no estado.
A informação ganhou força nesta quarta-feira (28), após o próprio Wellington admitir publicamente que não descarta deixar o ministério para reassumir a cadeira no Senado. “Precisando de alguém ali sob seu comando para ajudar, claro que estarei pronto. É um diálogo que tem que olhar para o Brasil. Sou senador da República e o Senado é a minha casa, mas ainda não conversei com o presidente”, declarou em entrevista a uma emissora de TV local. Ele participa ainda nesta semana da reunião com Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir a formação da equipe de transição do terceiro para o quarto mandato.
Prestígio intacto e sondagem para Relações Institucionais
O movimento não significa, em absoluto, perda de prestígio junto ao presidente Lula. Pelo contrário. Segundo apurou a reportagem, Wellington Dias já teria sido sondado pelo próprio Lula para assumir a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), cargo já ocupado pela deputada federal Gleisi Hoffmann (PT/PR). Lula quer para a articulação política um político com mandato no Congresso, e não qualquer um, mas alguém de sua estreita confiança, como é o caso do ministro piauiense.
A avaliação sobre a ida de Wellington para a SRI circula nos bastidores desde o início do ano. Em janeiro o ministro havia entrado no radar do presidente para substituir Gleisi Hoffmann na articulação política, justamente por sua interlocução tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. O fato de ser senador licenciado com mandato até 2031 o isenta de deixar o governo para cumprir exigências eleitorais, o que o torna um nome ainda mais estratégico para a função.
O presidente Lula também estaria inclinado a fazer do seu quarto e último mandato uma gestão de forte simbolismo para o Piauí, o estado que lhe deu sempre a maior votação entre todas as unidades da federação. No segundo turno de 2026, Lula obteve 75,88% dos votos válidos no estado, com 1.653.989 votos, contra 24,12% de Flávio Bolsonaro (PL). O próprio presidente reconheceu o feito: “O Piauí me deu o título de campeão”, declarou após a vitória.
Nesse cenário, a tendência é que Lula prestigie o estado colocando pelo menos três piauienses de destaque na Esplanada dos Ministérios. O primeiro nome é o do governador Rafael Fonteles, cotado para o Ministério da Fazenda. O segundo é o do advogado e secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas. O terceiro é o do próprio Wellington Dias, que pode permanecer no governo em outra função ou retornar ao Senado para fortalecer a base aliada.
O próprio Wellington já admitiu publicamente que o Piauí tem nomes de peso para ocupar mais espaço no governo. “O Piauí tem excelentes nomes para ocupar um espaço, como o próprio Rafael, que é bastante citado”, afirmou, citando ainda outras lideranças nordestinas.
O que dizem os bastidores
Aliados de Wellington avaliam que o retorno ao Senado não seria um rebaixamento, mas uma reposição de forças. Com a maioria eleita no Congresso sendo de oposição, o governo precisará de articuladores experientes e com trânsito nos bastidores do Legislativo. Wellington Dias reúne esse perfil: foi governador do Piauí por quatro mandatos, senador licenciado e ministro de pastas estratégicas nos governos petistas.
Enquanto a definição não vem, o certo é que o ministro segue no centro das decisões sobre a composição do governo Lula 4 — e o Piauí, mais uma vez, no centro das atenções.