Rafael Fonteles terá títulos de cidadania de 3 estados e deve ser ministro da Fazenda

Pela gestão de sucesso no Piauí e seu papel decisivo na vitória de Lula, governador é homenageado por assembleias de outros estados e se consolida como nome forte para a equipe econômica do governo Lula 4

O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), está colhendo os frutos de uma atuação que ultrapassou as fronteiras do estado. Reconhecido pelo trabalho como gestor e pela participação fundamental na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fonteles passou a ser alvo de propostas de títulos de cidadania em diferentes estados e teve seu nome projetado nacionalmente como um dos mais cotados para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente petista.

A primeira das homenagens partiu do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), deputado Romeu Aldigueri (PSB), que iniciou o recolhimento de assinaturas para conceder o título de cidadão cearense a Fonteles e ao deputado federal André Janones (Rede-MG). A iniciativa foi rapidamente seguida por parlamentares de outros estados: o deputado Cristiano Silveira (PT-MG) está propondo o título de cidadão mineiro ao governador piauiense, enquanto o deputado federal Rubens Pereira Júnior (PT-MA) articula junto à bancada do PT na Assembleia Legislativa do Maranhão a concessão da honraria.

Os títulos de cidadania são um reflexo direto dos resultados da gestão de Fonteles à frente do Palácio de Karnak. Reeleito em 2026 com 70,9% dos votos válidos, o maior percentual proporcional do país, o governador implementou uma política fiscal que permitiu dobrar a arrecadação estadual e ampliar significativamente os investimentos em infraestrutura. Sob seu comando, a receita total do Piauí saltou de R$ 15,9 bilhões em 2022 para R$ 30,2 bilhões em 2025, com destaque para o crescimento das receitas próprias.

Fonteles também adotou uma regra fiscal estadual que limita o crescimento das despesas, em uma tentativa de retomar os superávits e garantir a sustentabilidade das contas públicas. A capacidade de pagamento (Capag) do estado melhorou, e o Piauí conseguiu reestruturar sua dívida com a União, ampliando prazos e obtendo carência. Na educação, o governo expandiu escolas e entregou mais de mil obras à população, consolidando uma marca de gestão eficiente e voltada para resultados.

A virada na campanha de Lula

A projeção nacional de Fonteles, no entanto, ganhou força mesmo foi na política. Integrante da coordenação da campanha de Lula no segundo turno, o governador atuou diretamente na comunicação e na preparação do presidente para os debates contra Flávio Bolsonaro (PL). Nos bastidores, foi um dos principais incentivadores para que Lula adotasse uma postura mais conectada com as redes sociais e com as ruas, incluindo a gravação de vídeos no formato selfie e a entrada no canal "Exército do Lula", no WhatsApp.

A estratégia deu resultado. Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, obtendo uma vantagem de mais de 4,4 milhões de votos sobre o adversário. O próprio Fonteles reconheceu que nem os cálculos internos da campanha, apelidados de "Data Rafael", haviam previsto a dimensão da virada: "Ninguém previu isso. Ninguém, ninguém previu isso. Quem mais se aproximou foram os nossos próprios técnicos... mas nem nós conseguimos chegar ao valor de 51,8%", declarou em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.

O desempenho como gestor e a musculatura política conquistada na campanha colocaram o nome de Rafael Fonteles no centro das especulações sobre a composição do governo Lula 4. Cotado para o Ministério da Fazenda, o governador reúne o perfil técnico que o mercado financeiro costuma elogiar. É matemático com mestrado em Economia Matemática pelo IMPA e foi secretário da Fazenda do Piauí por sete anos.

Apesar da pressão política, Fonteles tem negado publicamente que tenha discutido o cargo com o presidente. "Nunca foi tratado nada disso. A minha contribuição se restringiu a essa questão eleitoral", afirmou nesta segunda-feira (26). Nos bastidores, porém, aliados avaliam que ele reúne experiência em gestão fiscal e força política para assumir a pasta, e o vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT), já se diz pronto para assumir o comando do estado caso o titular aceite um eventual convite.

Enquanto a definição não vem, o reconhecimento dos estados vizinhos sela o novo status de Fonteles: o de um gestor de resultados que ajudou a virar uma eleição presidencial e que, agora, pode ser chamado a comandar a economia do país.

Rafael Fonteles retornou de Brasília e foi direto festejar com o povo a vitória de Lula