Piauí pode fazer história com três ministros na Esplanada no governo Lula 4

Rafael Fonteles, Wellington Dias e Chico Lucas são os nomes cotados para pastas estratégicas; presidente quer retribuir estado que lhe deu a maior votação proporcional do país

Pela primeira vez em sua história política, o Piauí pode ter três representantes simultâneos no primeiro escalão do governo federal. Com a formação do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os nomes do governador Rafael Fonteles, do ministro Wellington Dias e do secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, ganharam força nos bastidores de Brasília e podem colocar o estado no centro das decisões nacionais.

Rafael Fonteles (PT) é o mais badalado para assumir o comando do Ministério da Fazenda. Segundo apuração da imprensa, Lula sinalizou a aliados que quer o governador piauiense em sua equipe, e a vaga mais cotada é justamente a economia. Auxiliares do presidente avaliam que Fonteles reúne “preparo técnico e densidade eleitoral” para ocupar a pasta considerada a mais importante da Esplanada. O governador, no entanto, tem negado publicamente que tenha discutido o cargo com Lula.

Já Wellington Dias (PT), atual ministro do Desenvolvimento Social, é cotado para a Secretaria de Relações Institucionais, cargo que foi ocupado por Gleisi Hoffmann. Lula quer um articulador político com mandato no Congresso, e Wellington é senador licenciado com mandato até 2031, perfil que atende exatamente à necessidade de diálogo com um Legislativo de maioria oposicionista.

O terceiro nome é Chico Lucas, ex-secretário de Segurança Pública do Piauí e atual ocupante da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça. Ele foi nomeado em janeiro de 2026 e é considerado uma aposta do governo para a área, com o aval do próprio Fonteles.

O peso do Piauí nas urnas

A possível escalação de três piauienses não é por acaso. O presidente Lula costuma dizer que o Piauí é sua “caixa de ressonância” e quer retribuir o apoio massivo que recebeu do estado. No segundo turno de 2026, Lula obteve 75,88% dos votos válidos no Piauí, o maior percentual proporcional do país, com 1.653.989 votos contra 525.859 de Flávio Bolsonaro (PL). O desempenho foi tão expressivo que o próprio presidente declarou: “O Piauí me deu o título de campeão”.

Aliados de Lula avaliam que o quarto mandato será marcado por uma gestão de forte simbolismo para o Piauí. Em entrevista recente, o próprio Wellington Dias afirmou que o estado tem “nomes de peso” para ocupar espaço no governo e citou Fonteles como exemplo. O presidente do PT no Piauí, Fábio Novo, já declarou que o estado deve “emprestar” o governador para o Brasil.

Enquanto as definições não saem, o cenário é inédito: nunca antes o Piauí teve a chance de ocupar tantas cadeiras estratégicas no governo federal ao mesmo tempo. Se os três nomes se confirmarem, o estado deixará de ser apenas um celeiro de votos para se tornar também um polo de poder na Esplanada dos Ministérios.