Morre Felizardo Calaço; a música e a boemia de Teresina perdem uma voz querida

Aos 62 anos, o cantor, compositor e violonista deixa legado na música popular e no coração dos piauienses

Teresina amanheceu em luto nesta segunda-feira (27). O cantor, compositor e violonista Felizardo Ferreira Calaço Filho, de 62 anos, faleceu no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde estava internado havia mais de mês para tratar de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e uma infecção urinária subsequente. Com sua partida, a cena cultural da capital perde um de seus artistas mais autênticos e um verdadeiro "boêmio, boa praça e bem-humorado", nas palavras de um colega de geração.

Felizardo vinha enfrentando sérios problemas de saúde há anos. Diabético e com problemas cardíacos e outras comorbidades, o músico também sofria com obesidade e, nos últimos tempos, tornou-se sedentário por ter dificuldades de locomoção. Apesar das limitações, sua paixão pela música nunca diminuiu. Ele se manteve ativo na cena cultural até onde suas forças permitiram.

O violão e o Flamengo eram duas paixões de Felizardo Calaço Sucesso e um repertório sem fronteiras

Com uma carreira consolidada no cenário cultural do Piauí, Felizardo Calaço fez muito sucesso nas décadas de 1980 e 1990. Sua música ecoou em bares, clubes e churrascarias de Teresina, onde encantava o público com um repertório eclético. "Tocava quase de tudo no seu violão", recorda um músico que compartilhou a mesma geração, destacando a versatilidade que se tornou sua marca registrada.

A partir dos anos 2000, ele consolidou sua presença com parcerias marcantes, transitando com maestria pelo universo da música regional e da cultura popular piauiense. Sua obra inclui a coautoria da faixa de Boi Bumbá "Imperador da Ilha", em parceria com Zé Rodrigues e Juarez, que integrou o álbum coletivo Na Levada do Boi (2009). A música é um testemunho da época de forte circulação e valorização dos folguedos juninos na capital.

Felizardo no auge do sucesso em Teresina Além dos palcos, Felizardo Calaço também teve atuação marcante em saraus e escolas, com presença ativa em eventos de fomento à literatura e à arte local, como os tradicionais Saraus Literários da Secretaria de Educação (SEDUC-PI).

Nos últimos anos, Felizardo dividiu sua vida com a também cantora Fátima Lima, que se dedicou a cuidar do parceiro de arte até seu último dia. O velório está acontecendo na funerária Aliança Eterno, na Avenida Leônidas, 485, no bairro Piçarras, próximo ao hospital HTI, antiga Casa Mater, na Zona Sul Teresina. A família informou que o sepultamento será as 17 horas desta segunda-feira (27), no cemitério São Judas Tadeu, na Avenida João XXIII, no bairro São Cristóvão, na zona Leste de Teresina.

Uma das últimas apresentações públicas de Felizardo foi no Festival de Inverno de Pedro II de 2016