OLHE DIREITO!

Por Álvaro Mota

Berilo Motta, um jovem advogado

Álvaro Fernando Mota

Advogado

Hoje peço vênia aos meus leitores para exercer meu papel de pai orgulhoso de um filho que se tornará advogado, seguindo por vontade própria a carreira que foi também do avô e do bisavô paternos.

Falo de coração e em público sobre meu filho Berilo Pereira da Motta Neto, a quem saúdo neste dia especial em que ele se torna advogado de fato e de direto, aprovado que foi no Exame de Ordem, após cinco anos na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Piauí.

Berilo herdou não somente o nome do avô paterno. Traz dele também o traço de ser ponderado, de ouvir muito antes de falar o que lhe parece essencial para o momento. Essa característica tão peculiar soma-se a outra herança genética admirável: o gosto pelas artes plásticas, oriundas do avô e do bisavô maternos, Assis Fortes e Hecínio. E de sua ancestralidade, o gosto pelo desafio, para transpor obstáculos, sejam eles quais forem.

Posso dizer ao meu filho que hoje começa uma jornada a mais em sua vida. Ele, como tantos outros que recebem suas carteiras, é um vitorioso nas etapas que percorreu em sua vida. Muito há a seguir e a ser feito, muito existe para ser superado e muito há que se obter de êxito como resultado do trabalho e do estudo.

Estudo e trabalho sempre moveram meu filho Berilo. Acredito que sua disposição à cata do aperfeiçoamento haverá de ser seu maior guia, para torná-lo um bom profissional. Mais que isso, estudar e trabalhar pode ser a forma para que ele se torne aquilo que muita gente espera de advogados: construtores de um novo mundo, universalmente mais rico e justo, no qual o Direito não é somente a letra da lei, mas expressão de vida, da concertação de interesses comuns, em ambiente de liberdade para pensar e empreender.

Sobre liberdade, de Berilo Motta, posso asseverar que conheço poucas pessoas que se dedicam tanto à defesa da livre circulação de ideias quanto meu filho. Isso sem dúvida é um alicerce mais que forte para o exercício da advocacia, atividade essencial à administração da Justiça, bem assim a garantia de sustentabilidade e longevidade da democracia.

Espero de meu filho, agora advogado, a manutenção de seu foco rumo à busca de horizontes amplos que lhe permitam o conhecimento das leis e da alma humana. Sei que não será fácil a caminhada que agora ele inicia. Nem pode nem deve ser, pois é inexistente a glória onde não existe o esforço e a luta.

A glória também não é possível na ausência da ética, guiar todos os profissionais, sobretudo aqueles imbuídos do propósito mais elevado de contribuir para transformações históricas. Não qualquer mudança, mas a mudança que começa em si, com a vontade de fazer diferente e fazer a diferença. Trago em mim, felizmente, a exata noção de que Berilo Motta se insere no rol dos que querem mudar o mundo a partir de si, trabalhando, estudando, sendo ele próprio agente destas transformações.

Acolho, sobre isso, uma fala perdida no tempo, mas não perdida na atualidade da ideia, de Fabio Comparato, que em debates precedentes à Constituinte eleita em 1989, vaticinou que devem os advogados atuar para criar condições institucionais para a transformação da sociedade.

Olhando hoje, parece fácil que se diga sobre a necessidade de sermos, enquanto advogados, profissionais que trabalham em um ambiente voltado à transformação social. Contudo, somente o vigor e o ímpeto da juventude são capazes de mostrar às gerações atuais que devem elas sair de sua zona de conforto para atuar de modo proativo na construção de novos espaços institucionais para a mudança.

Feliz e orgulhoso, posso dizer que Berilo Motta, meu filho, agora advogado, certamente comporá uma geração que legará ao nosso país modelos institucionais mais justos, transformados pela vontade comum de se agregar transformações sociais e econômicas, valorizando o mérito, sendo inclusivo na medida do esforço comum, afastando a injustiça e mitigando os malefícios de erros cometidos muitas vezes em nome da sociedade.

Mais uma vez peço vênia para ser não um advogado e homem público, mas o pai de um garoto que agora se faz adulto e advogado. Boa sorte, meu filho!

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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