Atuação de advogado complica ainda mais a defesa do assassino de Camilla Abreu

Juíza Zilnar Coutinho Juíza Zilnar CoutinhoFoto: Wilson Filho/Cidadeverde.com

Como diz o ditado: da cabeça de juiz e de bunda de bebê [...] Se já era complicada a situação do ainda capitão da Polícia Militar do Piauí, Allisson Wattson da Silva Nascimento, 37 anos [candidato reprovado no teste psicológico, mas que ingressou na corporação por força de liminar concedida pelo Tribunal de Justiça], depois da primeira audiência de instrução e julgamento desta sexta-feira (23), as chances de o oficial escapar do julgamento pelo Tribunal Popular do Juri são remotas.

Não bastasse o silêncio do réu confesso do assassinato brutal de Camilla Pereira de Abreu, 21 anos, a juíza Zilnar Coutinho, que presidiu a audiência de instrução e julgamento desta sexta-feira (23), na 2ª vara do Tribunal Popular do Júri, ficou irritada e chegou a ameaçar o advogado, que insistiu em vários questionamentos inoportunos e manobras para tentar evitar que o cliente seja julgado por um júri popular.

A defesa primeiro tentou tornar o réu “incapaz” por conta de um suposto “transtorno de personalidade”, segundo o advogado, Alisson faz tratamento psiquiátrico desde abril de 2017.

Depois, atentou contra a honra da estudante, numa tentativa de desqualificar moralmente a vítima. Camilla foi acusada pelo advogado de fazer programas com homens e mulheres. COm veemência, a juíza interrompeu a pergunta do advogado à testemunha. "A pergunta está indeferida. O relacionamento amoroso da estudante Camilla Abreu não é objeto”

Depoimentos

As sete testemunhas ouvidas – além de uma outra que foi ouvida, mas como informante - complicaram ainda mais a situação do assassino da estudante universitária Camilla Pereira de Abreu, de 21 anos.

Luana de Sousa foi a primeira a ser ouvida. Ela estava com Camilla e Allisson na noite em que a estudante foi executada a tiros

Valéria Gomes foi questionada pelo advogado de Alisson Wattson e negou que Camilla fosse garota de programa [com homens e mulheres], e sustentada financeiramente pelo réu, como insinuou a defesa. Camilla era mantida pela família, afirmou Valéria.

Marcelo Barroso lavou o carro do capitão na Avenida Maranhão e confirmou que havia muito sangue no seu interior. Djalma Viana, dono do Lava Jato, confirmou a informação de Marcelo Barroso. Jônatas Castelo Branco, dono da loja onde o réu comprou o encosto do banco do carro, também manteve o que já havia dito à polícia.

Francisco Gilvan Rodrigues, PM lotado do 8º Batalhão, disse que Alisson Wattson tentou vender o Toyota Corolla, onde Camilla foi executada. E por fim, Francisco da Silva, afirmou que se envolveu em uma discussão com o capitão, que seria bastante agressivo e teria inclusive atirado em seu veículo, revelou.

A juíza Zilnar Coutinho vai ter que decidir sobre dois pedidos: da defesa, que pediu a liberdade do réu, e da promotoria, que solicitou seja realizada uma reconstituição do crime, já que o assassino confesso de Camilla Abreu alegou que houve um disparo acidental da arma, uma pistola .40, que ele tentou devolver para a PM depois que matou a namorada com um tiro no rosto.

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