Durante a gestação, mãe e bebê não compartilham apenas nutrientes e oxigênio. A ciência já comprovou que há também uma troca de células entre os dois — e algumas delas permanecem no organismo por toda a vida. Esse fenômeno é conhecido como microquimerismo materno. Ele acontece quando pequenas quantidades de células da mãe atravessam a placenta e se instalam no corpo do feto ainda durante a gravidez.
Essas células não desaparecem após o nascimento. Pelo contrário: continuam presentes no organismo ao longo dos anos. Estudos indicam que, em um adulto, cerca de uma em cada um milhão de células pode ter origem materna — o que representa milhões delas no corpo humano.
A troca, na verdade, é mútua. O bebê também envia células para a mãe durante a gestação, criando uma relação biológica ainda mais profunda entre os dois.
Por que o corpo não rejeita essas células?
Uma das principais dúvidas dos cientistas sempre foi entender por que o sistema imunológico não ataca essas células “estranhas”.
Pesquisas recentes indicam que algumas células maternas têm um papel importante nesse processo: elas ajudam a “ensinar” o sistema imunológico a tolerar sua presença, evitando reações de defesa.
Esse mecanismo é fundamental para manter o equilíbrio do organismo ao longo da vida.
Quem descobriu isso?
O fenômeno não foi descoberto por uma única pessoa. O microquimerismo vem sendo estudado há décadas por vários pesquisadores da área de imunologia e obstetrícia. Um dos nomes mais citados nesses estudos é a médica e pesquisadora J. Lee Nelson, da University of Washington, que investigou a presença de células maternas e fetais no organismo por muitos anos.
Ela e outros cientistas ajudaram a comprovar que células podem atravessar a placenta e permanecer no corpo por décadas.
Porém, um estudo recente publicado na revista científica Immunity ajudou a avançar na compreensão do fenômeno. Em experimentos com camundongos, pesquisadores identificaram um pequeno grupo de células maternas capaz de regular o sistema imunológico dos filhotes.
Segundo o estudo, essas células estão associadas à produção de linfócitos T reguladores, fundamentais para controlar respostas imunológicas excessivas. Quando os cientistas removeram esse grupo específico de células, os animais perderam a tolerância imunológica, e as células maternas deixaram de persistir no organismo.
Uma ligação que vai além do nascimento
A descoberta reforça a ideia de que a conexão entre mãe e filho vai além do vínculo emocional. Em nível celular, essa relação continua ativa por décadas — e pode influenciar diretamente o funcionamento do organismo.
Mais do que uma curiosidade científica, o microquimerismo abre caminhos para novas pesquisas sobre imunidade, doenças e até tratamentos médicos no futuro.
Fonte: Superinteressante
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