O que seus olhos dizem sobre o seu cérebro? De acordo com estudos científicos recentes, a resposta pode ser a chave para identificar o risco de demência mais de uma década antes de qualquer sinal de esquecimento aparecer. Um estudo conduzido por pesquisadores do Neuroscience Research Australia (NeuRA) e publicado na revista Aging and Mental Health aponta que testes de visão regulares podem ser preditores eficazes do declínio cognitivo.
As pesquisas mostram que, como a retina é, biologicamente, uma extensão do sistema nervoso central, doenças que afetam o cérebro, como o Alzheimer, frequentemente deixam rastros nos olhos. Cientistas descobriram que o afinamento de certas camadas da retina e a perda de células ganglionares podem ser os primeiros indicadores biológicos da doença.
Foto: Ksenia Chernaya
Alguns sinais nos olhos podem servir de alerta para possíveis problemas e merecem atenção. Um deles é a perda de sensibilidade ao contraste, que acontece quando a pessoa tem dificuldade para distinguir objetos que estão em fundos com cores parecidas. Outro sinal é a dificuldade na percepção de cores, principalmente entre tons de azul e amarelo. Também é importante observar a lentidão no movimento dos olhos, ou seja, quando eles demoram mais do que o normal para focar em um novo ponto, o que pode indicar algum comprometimento neurológico. Além disso, o afinamento da retina é um sinal que não é visível a olho nu, mas pode ser identificado por meio de exames específicos, como a tomografia de coerência óptica, conhecida como OCT.
Por que o diagnóstico precoce é vital?
Atualmente, a demência é diagnosticada apenas quando o dano cerebral já é significativo. Especialistas dizem que a possibilidade de prever a condição com 12 anos de antecedência abre uma janela sem precedentes para intervenções no estilo de vida, como dieta, exercícios e controle da pressão arterial. Tudo pode retardar a progressão da doença.
Estudiosos sugerem que, no futuro, o exame de fundo de olho se torne tão comum quanto medir a pressão arterial para monitorar a saúde cerebral. "Os olhos são uma janela aberta para o que está acontecendo dentro da nossa cabeça", afirmam pesquisadores. Para quem tem mais de 50 anos ou histórico familiar de doenças neurodegenerativas, manter as consultas oftalmológicas em dia pode ser pode ser uma salvaguarda para a memória.
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