Política

NOVO MINISTÉRIO

Promotor Lincoln Gakiya é o mais cotado para ministro da Segurança; veja quem é

Promotor de Justiça de São Paulo tem mais de 30 anos de carreira, investiga o PCC há duas décadas e vive sob escolta policial devido a ameaças de morte atribuídas à facção criminosa

Por Redação

04 de novembro de 2026 às 11:58 ▪ Atualizado há 27 minutos

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  • Lincoln Gakiya é um promotor de Justiça conhecido pelo combate ao PCC e cotado para o Ministério da Segurança Pública no governo Lula.
  • Atua há mais de 30 anos no Ministério Público de São Paulo, concentrando-se no crime organizado.
  • Gakiya aceita a possibilidade de assumir o ministério se for convidado.
  • Outros nomes também são considerados para o cargo.
  • Engajado no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
  • Em 2019, liderou a transferência de líderes do PCC para presídios federais de segurança máxima, incluindo Marcola.
  • Recebe escolta policial devido a ameaças de morte de facções criminosas.
  • Foi alvo de várias ameaças, com planos de assassinato descobertos pelas autoridades.
  • Participa de debates nacionais sobre segurança pública e coautor de um livro sobre o tema.
  • Ganhou o Colar do Mérito do Ministério Público de São Paulo por seu trabalho contra o crime organizado.
  • A decisão sobre o futuro ministro cabe ao presidente Lula.

Senado Federal Lincoln Gakiya
Lincoln Gakiya

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido nacionalmente pela atuação no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), é apontado como o principal nome cotado para assumir o futuro Ministério da Segurança Pública do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi divulgada pela colunista Tatiana Farah, do UOL, na terça-feira (3).

Com mais de 30 anos de atuação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Gakiya construiu uma carreira marcada por investigações contra organizações criminosas. Seu trabalho no enfrentamento ao PCC também fez com que se tornasse alvo de ameaças de morte atribuídas à facção.

A possível indicação ganhou espaço nas discussões sobre a criação da nova pasta, que deverá funcionar plenamente a partir de 2027. Apesar de ser considerado o principal cotado, o promotor ainda não recebeu convite formal do presidente Lula. Outros nomes também aparecem nas articulações, entre eles o piauiense Chico Lucas, atual secretário nacional de Segurança Pública, e os ex-ministros Camilo Santana e Rui Costa.

Em entrevista à CNN Brasil, Gakiya afirmou que aceitaria assumir o cargo caso fosse convidado. "Claro, se fosse convidado aceitaria, sim", declarou.

Veja quem é Lincoln Gakiya

Natural de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, Lincoln Gakiya ingressou no Ministério Público paulista em 1991. Em 1996, assumiu a Promotoria de Justiça de sua cidade natal, onde desenvolveu grande parte de sua trajetória profissional.

Desde o início dos anos 2000, passou a concentrar sua atuação no combate ao crime organizado, especialmente nas investigações sobre o PCC, acompanhando a estrutura da organização criminosa dentro e fora dos presídios. O promotor integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-SP.

Além da experiência como promotor, é especialista em Direito Penal, mestrando em Ciências Militares e Segurança Pública pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), professor e conselheiro da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo (USP).

Atuação contra o PCC e transferência de Marcola

Um dos episódios mais conhecidos de sua carreira aconteceu em fevereiro de 2019, quando Gakiya foi responsável pelo pedido de transferência de 22 integrantes da cúpula do PCC para penitenciárias federais de segurança máxima. Entre eles estava Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como uma das principais lideranças da facção.

A medida ocorreu após investigações identificarem um plano de resgate dos criminosos que estavam presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista. A transferência foi autorizada pela Justiça e provocou ameaças contra autoridades envolvidas na decisão, incluindo o promotor.

Gakiya vive sob escolta policial armada 24 horas por dia. A primeira ameaça de morte identificada contra ele ocorreu em 2005. Desde então, novos planos de ataques foram descobertos pelas autoridades.

Em outubro de 2025, uma investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil identificou outro suposto plano para assassiná-lo. Durante a Operação Recon, os investigadores descobriram que suspeitos haviam alugado uma casa a menos de um quilômetro da residência do promotor para monitorar sua rotina e os deslocamentos dos policiais responsáveis por sua proteção.

Em entrevista ao programa Conversa com Bial, em julho de 2025, ele falou sobre as consequências pessoais do trabalho de enfrentamento à organização criminosa.

“De certa maneira, eu teria mandado esses criminosos para o isolamento, e eu também fui isolado junto com eles”, afirmou.

Reconhecimento e propostas para a segurança pública

A experiência acumulada nas investigações também levou Gakiya a participar de debates nacionais sobre o combate às organizações criminosas. Em julho de 2025, ele recebeu o Colar do Mérito do Ministério Público de São Paulo, homenagem concedida em reconhecimento à sua atuação contra o crime organizado.

O promotor também é coautor do livro Segurança Pública: Brasil Livre das Máfias, publicado em 2025 ao lado do jurista Walfrido Warde. A obra discute a expansão das organizações criminosas no Brasil e apresenta propostas para enfrentar a infiltração desses grupos na economia e nas estruturas do Estado.

Apesar da trajetória e da posição de destaque nas articulações para o novo ministério, a escolha do futuro titular ainda cabe ao presidente Lula.

Fonte: G1 Globo



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