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ONU deve analisar denúncia sobre morte de Ana Clara e suposta atuação de Flávio Bolsonaro

Caso de Ana Clara Machado, morta aos 5 anos por um tiro de fuzil em Niterói, será discutido em reuniões previstas para dezembro, em Genebra, segundo o denunciante Raphael Costa

Por Redação

24 de outubro de 2026 às 10:51 ▪ Atualizado há 1 hora


Reprodução Ana Clara Gomes Machado tinha cinco anos quando morreu após ser atingida por um disparo de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2021.
Ana Clara Gomes Machado tinha cinco anos quando morreu após ser atingida por um disparo de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2021.

O caso da morte de Ana Clara Machado, menina de 5 anos morta por um disparo de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, em 2021, deverá ser analisado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no fim deste ano. A informação foi divulgada por Raphael Costa, ex-secretário de Direitos Humanos do município, que afirma ter encaminhado denúncias sobre o caso a organismos internacionais.

A denúncia também menciona uma suposta atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em favor do policial militar Bruno Dias Delaroli, réu pelo assassinato da criança. Segundo Costa, o parlamentar teria atuado nos bastidores para favorecer o acusado, que chegou a ser preso em flagrante, mas foi solto posteriormente. As alegações sobre a participação do senador são atribuídas ao denunciante.

Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira, Costa relatou que ocupava o cargo de secretário municipal de Direitos Humanos quando o crime aconteceu. De acordo com ele, testemunhas foram ouvidas logo após o ocorrido, e a atuação das autoridades naquele momento teria impedido que o policial fosse liberado.

“Na mesma hora, ouvimos testemunhas e conseguimos evitar que o criminoso fosse liberado”, afirmou.

Costa disse que, no fim de 2021, recebeu informações de que o policial havia deixado a prisão. Segundo seu relato, uma fonte teria mencionado uma possível intervenção de um senador da República.

“Fui informado em off que um senador da República estaria atuando nos bastidores para proteger o assassino. O nome do senador é Flávio Bolsonaro”, declarou.

Denúncia foi encaminhada à ONU

No mês seguinte, Costa afirma ter levado o caso a autoridades federais, relacionando a situação ao avanço das milícias e à atuação de agentes do Estado. Em 2022, ele protocolou a denúncia junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Em 2024, enviou um novo relatório, no qual incluiu informações sobre o suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro. Segundo Costa, o senador também teria assumido oficialmente a defesa do policial, circunstância que, na avaliação do denunciante, indicaria uma possível ligação entre integrantes da política nacional e milicianos.

De acordo com Costa, uma carta recebida por ele informa que reuniões para examinar as comunicações estão previstas entre os dias 18 e 24 de dezembro, em Genebra, na Suíça. O ICL Notícias também informou ter apurado que há reuniões agendadas pela ONU para tratar das comunicações recebidas no fim do ano.

Costa afirmou ainda que o cenário político brasileiro poderá influenciar a repercussão do caso, já que Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República.

Julgamento foi adiado para 2027

Enquanto a denúncia é levada a organismos internacionais, a família de Ana Clara continua aguardando o julgamento do policial acusado pela morte da menina.

A sessão chegou a ser marcada inicialmente para 14 de abril e depois foi transferida para 21 de outubro. Em agosto, uma nova alteração adiou o julgamento para 5 de maio de 2027.

As decisões e manifestações da ONU não têm, em regra, caráter juridicamente vinculante como uma sentença judicial nacional. Ainda assim, podem gerar pressão internacional e constrangimento diplomático, além de chamar a atenção para a condução de casos pelas autoridades do país.

Segundo as informações divulgadas, uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência não impediria a continuidade da análise da denúncia pelos mecanismos internacionais de direitos humanos.

Fonte: ICL notícias



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