Política

DISPUTA ELEITORAL

Lula diz que Flávio vai acabar com Bolsa Família e já chamou programa de “bolsa-esmola”

Presidente critica proposta de transição de dois anos apresentada pela equipe econômica do adversário e resgata declarações antigas do senador contra programas sociais

Por Redação

20 de outubro de 2026 às 15:01 ▪ Atualizado há 1 hora


Foto: Mateus Bonomi Candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL)
Candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL) de ameaçar a continuidade do Bolsa Família e criticou a proposta econômica apresentada pela equipe do adversário na disputa presidencial. Em publicação nas redes sociais, Lula também resgatou declarações antigas do parlamentar contra programas de assistência social e afirmou que cerca de 6 milhões de pessoas deixaram de receber o benefício entre 2023 e 2026 após melhorarem suas condições de renda.

“Eles querem acabar com o Bolsa Família. A declaração da assessora econômica deles é de quem está trabalhando, agradando os empresários para acabar com o Bolsa Família”, afirmou Lula, em referência à proposta apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio.

A declaração ocorre na reta final da disputa pelo Palácio do Planalto, após a equipe econômica do senador defender uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguirem emprego formal ou abrirem o próprio negócio.

Lula resgata críticas antigas de Flávio Bolsonaro

Na manifestação, o presidente também relembrou posicionamentos de Flávio Bolsonaro em 2011, quando o senador exercia mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo Lula, o parlamentar votou contra uma proposta relacionada a um programa de transferência de renda no estado.

“O que é importante lembrar também é que, em 2011, o meu adversário se recusou a votar a criação do Bolsa Família no Rio de Janeiro. De 54 votos, ele votou contra”, declarou.

Lula também afirmou que o adversário utilizava expressões depreciativas para se referir aos programas sociais, como “Bolsa Esmola” e “Bolsa Farelo”. Publicações antigas atribuídas a Flávio, nas quais ele empregava o termo “bolsa-farelo”, foram recuperadas recentemente pela campanha petista por meio da ferramenta Wayback Machine, que permite consultar páginas arquivadas da internet.

“O que é que está acontecendo agora? Ele está tirando das suas redes tudo o que ele publicou. Porque mentiroso é assim. Fala uma coisa, em seguida faz outra”, disse Lula.

Proposta prevê transição de dois anos para beneficiários

A controvérsia começou após Daniella Marques afirmar, em entrevista à rádio CBN Bahia, que a campanha de Flávio pretende estabelecer um período de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguirem emprego com carteira assinada ou abrirem uma empresa.

A proposta prevê a manutenção do auxílio durante esse período, com possibilidade de retorno automático ao programa caso a tentativa de inserção no mercado de trabalho não dê certo.

Após a repercussão, a equipe do senador negou que a intenção seja extinguir o Bolsa Família. A campanha sustenta que a regra busca incentivar a autonomia financeira das famílias e facilitar a entrada no mercado de trabalho.

O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, criticou a proposta e afirmou que ela indicaria de onde viriam os cortes de gastos defendidos pelo adversário.

“Isso já mostra, claramente, de onde é que o Flávio Bolsonaro quer cortar os seus 200 bilhões de reais, o ‘tesouraço’. A gente vem dizendo e é exatamente dos programas sociais, das conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.

Lula destaca redução de beneficiários do Bolsa Família

Ao defender a continuidade do programa, Lula afirmou que aproximadamente 6 milhões de pessoas deixaram de receber o benefício entre 2023 e 2026 após conseguirem emprego ou ampliarem a renda.

“O que é importante dizer é que o sucesso é tão grande que de 2023 a 2026, 6 milhões de pessoas já deixaram o Bolsa Família porque arrumaram um emprego melhor ou porque estão ganhando sendo empreendedores”, declarou.

Dados publicados pelo UOL indicam que o número de pessoas atendidas pelo programa diminuiu em cerca de 6,3 milhões em relação a outubro de 2022. O levantamento também aponta que 5,9 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre março de 2023 e setembro de 2026 após aumentarem a renda. A redução do número de beneficiários também envolve revisões cadastrais, portanto, os dados não significam que todas as saídas ocorreram exclusivamente por conquista de emprego.

Criado em 2003, o Bolsa Família é uma das principais políticas federais de transferência de renda e tem como objetivo combater a pobreza e ampliar o acesso a direitos básicos. O futuro do programa se tornou um dos temas centrais do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro na campanha para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Fonte: Brasil 247