Política

ENTREVISTA

Lula defende redução da maioridade penal a 16 anos para punir crimes hediondos

Presidente, porém, disse que a mudança para crimes hediondos não deve ser discutida na PEC da Segurança Pública

Da Redação

15 de outubro de 2026 às 23:31 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • Lula manifestou apoio à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.
  • Ele defendeu que essa discussão não deve ser parte da PEC da Segurança Pública em tramitação no Senado.
  • Lula destacou que a prioridade é aprovar a PEC antes de considerar a redução da maioridade penal.
  • A proposta para reduzir a maioridade penal para 14 anos foi apresentada pela bancada do PL, mas Camilo Santana propôs o limite de 16 anos para crimes hediondos.
  • Lula anunciou planos para ampliar o envolvimento federal na segurança pública, criando o Ministério da Segurança Pública.
  • A União financiará a construção de 138 presídios, incluindo unidades de segurança máxima.
  • Ele enfatizou a importância de combater financeiramente facções criminosas e retomar territórios.
  • Sobre a classificação das facções criminosas pelo governo dos EUA como terroristas, Lula disse que isso difere do entendimento brasileiro de terrorismo.
  • Lula propôs cooperação com os EUA para combater o crime organizado e o narcotráfico.

Reprodução TV Globo Lula foi direto e honesto nas ruas respostas
Lula foi direto e honesto nas ruas respostas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta quinta-feira (15/10) ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. Em entrevista à TV Globo, o petista, no entanto, defendeu que a proposta não seja incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que está em discussão no Senado.

“Eu estou favorável a reduzir para 16, mas não discutindo nessa PEC”, declarou Lula, ao ser questionado sobre a proposta apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação.

O presidente afirmou que a prioridade deve ser aprovar a PEC antes de abrir a discussão sobre a redução da maioridade penal. “Primeiro você discuta a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não”, disse.

A discussão ganhou espaço durante a tramitação da PEC de segurança pública no Senado. Segundo a entrevista, uma iniciativa da bancada do PL para reduzir a maioridade penal para 14 anos foi seguida por uma proposta de Camilo Santana para estabelecer o limite em 16 anos nos casos de crimes hediondos.

Historicamente, o PT se posicionou contra a redução da maioridade penal. Durante a entrevista, Lula distinguiu sua posição pessoal da discussão sobre o conteúdo da PEC, ao defender que o tema seja tratado separadamente.

1002712042.jpg

Combate ao crime organizado

Durante a entrevista, Lula também defendeu ampliar a participação do governo federal na segurança pública. O presidente afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública e anunciou que a União pretende financiar 138 presídios em todo o país, com unidades de segurança máxima para impedir que lideranças criminosas continuem comandando atividades ilegais de dentro das cadeias. “Eu quero participar da segurança pública com muita força”, afirmou. 

O presidente também voltou a defender o combate financeiro às facções criminosas e a retomada de territórios controlados por esses grupos. “O que nós queremos é asfixiar o crime organizado e libertar os territórios”, disse.

PCC e Comando Vermelho

Questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, Lula afirmou que a medida não corresponde à concepção brasileira de terrorismo.

O presidente disse que o governo apresentou ao presidente norte-americano, Donald Trump, uma proposta de cooperação no combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Para Lula, embora as facções aterrorizem comunidades brasileiras, a classificação norte-americana envolve um entendimento diferente sobre terrorismo.

“Quando os Estados Unidos falam em terrorismo, eles falam em terrorismo de Estado”, declarou. Lula afirmou que o objetivo do governo brasileiro é combater as organizações criminosas por meio da cooperação policial e do enfraquecimento financeiro das facções.