ENTREVISTA
Por Luiz Brandão
12 de maio de 2026 às 23:34 ▪ Atualizado há 1 hora
Em entrevista ao Portal Piauí Hoje, o deputado estadual Henrique Pires (MDB) falou sobre sua paixão pelo saneamento básico, sua passagem pelo Ministério do Turismo e fez uma análise da derrota do governo Lula no Senado, além de reafirmar seu apoio ao governador Rafael Fonteles (PT).
Ao ser questionado sobre o que destaca de seu trabalho à frente da Funasa, Henrique Pires foi direto: "Me colocou como pai na Funasa". O deputado relembrou como sua visão sobre o saneamento se transformou quando assumiu a Superintendência da fundação.
"Você vê a importância para a saúde da população. Mais de 60%, quase 70% das pessoas que vão para o posto médico é por falta de saneamento de qualidade", afirmou.
Ele fez questão de ressaltar que saneamento vai além do tratamento de esgoto. "Saneamento associa só tratamento de esgoto? Não. E o abastecimento de água? A questão do lixo? A drenagem?", questionou, mostrando a visão ampla que adquiriu como engenheiro sanitarista.
O momento mais emocionante de sua trajetória, segundo o deputado, aconteceu em Buriti dos Lopes. "Um senhor de 82 anos tomando banho de chuveiro pela primeira vez na vida. Isso cativa você", recordou.
Henrique Pires foi presidente nacional da Funasa por duas vezes, nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer, e também ocupou os cargos de secretário nacional de Saneamento Ambiental no Ministério das Cidades e secretário nacional de Estruturação do Turismo.
A paixão pelo Turismo e a "indústria sem poluição"
O deputado confessou que, antes de conhecer a pasta do Turismo, tinha um preconceito equivocado. "Eu pensava que era coisa de vagabundo, de desocupado", admitiu. "Quando eu cheguei no Ministério do Turismo, vi a potência da indústria sem poluição, a quantidade de pessoas que vão para Cancun."
Ele fez um alerta sobre o potencial desperdiçado do Brasil. "O Brasil, com esse mundo aqui, recebendo menos gente do que Cancun recebe num ano", comparou, defendendo que o país precisa explorar melhor seu potencial turístico. "A gente só conhecendo reduz a ignorância, a verdade", completou.
A herança política da família Pires
Henrique Pires também falou sobre a tradição política de sua família, que começou muito antes dele. Além do pai, o ex-deputado federal Magno Pires, o deputado citou o avô, que foi prefeito de Batalha, e outros parentes que ocuparam cargos públicos.
"Minha tradição da família recente está em Batalha, com meu avô, que foi prefeito", contou. "Tem meu tio, minha tia foi vice, meu tio foi vice. O nosso querido amigo prefeito José Luís do Frango, meu amigo de ideia dos quatro, cinco anos de idade."
O deputado também brincou sobre os antepassados ilustres. "Se você for mais pra trás, aí vai ficar chique. Teve na época do Piauí dois senadores que só eram dois, eram dois: Pires Ferreira", lembrou.
Henrique Pires comentou a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A votação, ocorrida em 29 de abril de 2026, resultou em 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção — a primeira vez em mais de 100 anos que o Senado rejeitou um indicado ao STF.
"Para mim foi uma tristeza muito grande", afirmou o deputado, que disse ter ajudado na campanha de Messias. "Seríamos um grande ministro", lamentou.
O parlamentar revelou bastidores da articulação política. "Tivemos dois ministros que a grande imprensa diz — Alexandre de Moraes e Flávio Dino — trabalhando forte contra ele", afirmou.
Sobre a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Pires destacou o conhecimento político do parlamentar. "O Davi Alcolumbre conhece o Senado como poucos. Eu estava com ele na votação do Flávio Dino, quando ele disse no telefone para o presidente Lula quantos votos o Dino teria. Ele disse o número igualzinho", relembrou.
A rejeição de Messias foi interpretada por analistas como um "cartão vermelho" para a articulação política do governo e um sinal de fragilidade da base aliada. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, declarou durante a sabatina que o voto contrário "não era nada pessoal contra Messias, mas contra o que ele representa neste momento". Nos bastidores, aliados de Lula mapearam dissidências no MDB e no PSD durante a votação.
Defesa irrestrita do governo Rafael Fonteles
Questionado sobre a avaliação do governo do governador Rafael Fonteles (PT), Henrique Pires não poupou elogios. "Eu sou suspeito para falar. Sou da base do governador. Ele me trata excepcionalmente bem", declarou.
O deputado destacou uma qualidade que considera fundamental na gestão estadual. "Uma coisa do Rafael que me cativa muito é a sinceridade. O sim, sim. O não, não. O que está na Bíblia. Ele é cumpridor", afirmou.
Pires citou as pesquisas de aprovação para sustentar seu argumento. "As pesquisas falam por elas. Você pode não gostar dela, mas ser contra ela, não. O governo dele tem grande aprovação", disse, em referência aos índices positivos da gestão estadual.
O deputado também defendeu a decisão do governador de delegar os serviços de água e esgoto de Teresina à iniciativa privada. "Rafael teve uma coragem de poucos. Fez a delegação, essa PPP para essas duas empresas. Para alegria de uns e tristeza de outros. Mas eu acredito que vai melhorar", avaliou.
O governador Rafael Fonteles (PT) tem 57% de aprovação segundo pesquisas — número citado pelo deputado para justificar seu apoio à gestão estadual.
Fonte: Henrique Pires
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