Política

IMPARCIALIDADE

Folha critica Nunes Marques por censura pró-Flávio e questiona atuação do TSE

Editorial questiona falta de provas para retirada do “Exército de Lula” do WhatsApp e levanta dúvidas sobre a atuação da Justiça Eleitoral

Da Redação

13 de outubro de 2026 às 08:52 ▪ Atualizado há 59 minutos

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  • A Folha de S.Paulo criticou a decisão do TSE de suspender o canal "Exército de Lula", alegando falta de fundamentação.
  • A decisão havia sido tomada após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e foi provisoriamente revertida.
  • O jornal aponta a ausência de provas de que as mensagens questionadas tenham sido publicadas no canal.
  • A Folha destaca a importância de justificar claramente medidas que limitem a liberdade de expressão.
  • A questão envolve o combate à desinformação e a preservação da liberdade de expressão durante a campanha.
  • O caso será avaliado pelo plenário do TSE, e a Folha alerta para possíveis impactos na imparcialidade percebida da Justiça Eleitoral.

Reprodução Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques

Um editorial da Folha de S.Paulo, publicado nesta terça-feira (13), criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de suspender o canal “Exército de Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O jornal questiona a fundamentação da medida e alerta para os riscos de restrições judiciais à liberdade de expressão durante a disputa presidencial.

A suspensão foi determinada no domingo (11), após um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Na segunda-feira (12), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu os efeitos da decisão de Nunes Marques e restabeleceu provisoriamente o funcionamento do canal, até que o caso seja analisado pelo plenário do TSE.

Editorial aponta falta de provas contra canal

Um dos principais questionamentos da Folha é a ausência de comprovação de que as mensagens apontadas pela campanha de Flávio Bolsonaro tenham sido efetivamente publicadas no canal do WhatsApp.

Segundo o editorial, a representação alegava que o espaço, com mais de 3 milhões de seguidores, divulgava conteúdos anteriormente questionados pela Justiça Eleitoral. Entre os exemplos estavam afirmações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida e supostas ligações de Flávio Bolsonaro com milícias.

No entanto, conforme o jornal, os documentos apresentados inicialmente não demonstravam que essas mensagens haviam circulado no canal.

No sábado (10), o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva solicitou provas à campanha. Cerca de uma hora depois, foram anexados documentos referentes a publicações no Instagram de André Janones, mas, segundo a Folha, o material não comprovava a divulgação dos conteúdos no grupo de WhatsApp.

Mesmo sem essa comprovação específica, Nunes Marques determinou a suspensão do canal no domingo e solicitou uma apuração à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE.

Na segunda-feira (12), a área técnica do tribunal informou não ter encontrado “reproduções das afirmações examinadas nos autos”, embora tenha considerado a possibilidade de que publicações anteriores tivessem sido apagadas.

O editorial também recupera uma decisão de junho, quando Nunes Marques acolheu um pedido do PL para impedir a divulgação de uma pesquisa eleitoral que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro.

A publicação menciona ainda que o ministro foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.

Ao relacionar os episódios, o jornal questiona os critérios adotados nas decisões judiciais e os possíveis efeitos sobre a percepção de imparcialidade da Justiça Eleitoral, especialmente durante uma eleição presidencial.

Liberdade de expressão entra no centro do debate

A Folha também critica o avanço da judicialização da campanha e as restrições impostas à circulação de conteúdos políticos. Para o jornal, medidas que limitam a comunicação eleitoral precisam ter fundamentação consistente e ser proporcionais à situação analisada.

O editorial cita outras decisões envolvendo conteúdos relacionados a Lula, incluindo a proibição de exibir o púlpito vazio do presidente em um debate da TV Globo e restrições a publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida.

Na avaliação apresentada pelo jornal, a retirada de um canal inteiro do ar exige justificativas sólidas, sobretudo quando não há comprovação de que o espaço tenha divulgado os conteúdos apontados na representação.

A discussão envolve dois pontos centrais: o combate à desinformação durante o processo eleitoral e a preservação da liberdade de expressão. Embora a Justiça Eleitoral tenha instrumentos para impedir irregularidades, a aplicação dessas medidas deve observar os limites legais e os elementos apresentados em cada processo.

Caso será analisado pelo plenário do TSE

Com a decisão de suspensão revertida provisoriamente, o canal “Exército de Lula” voltou a funcionar enquanto a controvérsia aguarda análise do plenário do Tribunal Superior Eleitoral.

O caso ocorre a menos de duas semanas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, e amplia o debate sobre os limites da atuação judicial na campanha.

A crítica da Folha se concentra na necessidade de decisões fundamentadas em provas concretas e no risco de que medidas consideradas excessivas alimentem questionamentos sobre a igualdade de tratamento entre os candidatos e a credibilidade da Justiça Eleitoral.

Fonte: Folha de S.Paulo, editorial publicado em 13 de outubro de 2026