Política

CONTRA AS MULHERES

Flávio chamou mulheres de “patrimônio turístico” e votou a favor do turismo sexual

Candidato do PL apresenta plano voltado ao público feminino na campanha presidencial, mas, quando era deputado estadual, votou contra propostas para restringir cartões-postais que sexualizavam mulheres

Por Redação

21 de outubro de 2026 às 14:34 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Flávio Bolsonaro, candidato à presidência em 2026, apresenta propostas para proteção e bem-estar das mulheres.
  • No passado, como deputado estadual, votou contra medidas para restringir a exploração da imagem feminina em cartões-postais.
  • Em 2005-2006, posicionou-se contra a proibição e multa para a venda de cartões-postais com imagens de mulheres em trajes sumários.
  • Flávio justificou que as mulheres brasileiras eram um atrativo turístico.
  • A declaração gerou críticas por associar mulheres ao turismo sexual.
  • A proposta de proibição foi aprovada na Alerj, apesar de seu voto contrário.
  • Na campanha atual, lança o "Brasil por Elas", com foco em proteção, autonomia financeira e qualificação profissional para mulheres.
  • Existe contraste entre suas propostas atuais e suas ações parlamentares anteriores, levantando questionamentos sobre sua postura.

Foto: Mateus Bonomi Candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL)
Candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL)

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresenta, na campanha eleitoral de 2026, propostas voltadas à proteção, à autonomia financeira e ao bem-estar das mulheres. Entretanto, o histórico do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) inclui votos contrários a medidas destinadas a restringir a exploração da imagem feminina em cartões-postais turísticos e declarações que associavam a beleza das brasileiras ao potencial turístico do país.

Em 2005 e 2006, quando era deputado estadual, Flávio se posicionou contra duas iniciativas relacionadas ao tema. Na época, a discussão envolvia a comercialização de cartões-postais que utilizavam imagens de mulheres em trajes sumários, inseridas artificialmente em fotografias de pontos turísticos, e a aplicação de multas aos estabelecimentos que descumprissem a proibição.

As informações foram recuperadas pela jornalista Carol Pires, que consultou registros da Alerj e publicou o levantamento em sua newsletter em 18 de outubro de 2026.

Flávio chamou mulheres de patrimônio turístico

Em maio de 2006, ao justificar sua oposição à proposta que previa punições para estabelecimentos comerciais, Flávio Bolsonaro afirmou que as mulheres brasileiras representavam um atrativo turístico do país.

“Com todo o respeito à Sra. Deputada Alice Tamborindeguy, sou contra. Acho que não tem que haver esse tipo de restrição. Acho que a mulher brasileira também é um patrimônio turístico do nosso país, é uma beleza do nosso Estado, principalmente a mulher carioca”, declarou o então deputado.

A proposta discutida na Alerj buscava estabelecer multas para gráficas, bancas de jornal, lojas de lembranças, quiosques e outros estabelecimentos que comercializassem os cartões-postais considerados inadequados.

Em outro trecho do pronunciamento, Flávio questionou a aplicação de punições aos comerciantes e afirmou que a exposição de imagens de mulheres de biquíni não deveria ser motivo para penalidades.

“Não sei, acho que a intenção da Sra. Deputada Alice Tamborindeguy é tentar combater o incentivo à prostituição. Deve ser isso. Mas lembremos que, em qualquer orla do nosso Estado, em qualquer praia, estão mulheres de carne e osso, e não há qualquer tipo de combate. O corpo é delas, façam o que quiser”, afirmou.

A declaração foi criticada pela deputada estadual Inês Pandeló, que repudiou a associação entre as mulheres brasileiras e os atrativos turísticos no contexto da discussão sobre o combate ao turismo sexual.

Projeto contra cartões-postais foi aprovado

A primeira proposta, apresentada em 2005 pela deputada Alice Tamborindeguy, proibia a exposição e a venda de cartões-postais turísticos com imagens de mulheres em trajes sumários que não tivessem relação com a fotografia original do ponto turístico.

Flávio foi o único parlamentar a votar contra essa iniciativa, que acabou aprovada e transformada na Lei Estadual nº 4.642, de novembro de 2005.

No ano seguinte, o então deputado também se posicionou contra a proposta que estabelecia multas para os estabelecimentos infratores. O texto foi aprovado por 37 votos a um, sendo Flávio o único voto contrário, segundo os registros recuperados pela jornalista.

Plano de governo inclui propostas para mulheres

Na atual campanha presidencial, Flávio apresenta o programa “Brasil por Elas”, que reúne propostas sobre proteção contra a violência, autonomia financeira, qualificação profissional e cuidados com a família.

Entre as iniciativas anunciadas estão a criação de uma Central da Mulher, de um aplicativo para reunir serviços de denúncia e orientação e de medidas para ampliar o acesso a creches. O plano também menciona capacitação profissional e oportunidades de geração de renda.

O contraste entre as propostas atuais e as posições registradas na Alerj coloca em discussão a relação entre o discurso eleitoral do candidato e sua atuação parlamentar anterior. Enquanto a campanha apresenta medidas voltadas ao público feminino, os registros das votações e as declarações de 2005 e 2006 permitem questionar como Flávio compreendia, naquele período, a proteção da imagem das mulheres e o enfrentamento ao turismo sexual.

Fonte: ICL notícias