Política

RELIGIÃO

Evangélicos rejeitam uso político das igrejas nas eleições

Pesquisa aponta que 83% são contra indicação de voto por líderes religiosos

Teresinha Ferreira

30 de setembro de 2026 às 16:53 ▪ Atualizado há 28 minutos

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  • A pesquisa do Iser e Quaest revela que 83% dos evangélicos no Brasil são contrários à indicação de votos por líderes religiosos.
  • 82% dos entrevistados rejeitam discussões políticas durante cultos e missas, enquanto 90% são contra campanhas eleitorais em igrejas.
  • Lívia Reis aponta que a influência religiosa é mais comum que a intervenção direta na política.
  • Divisões internas nas igrejas devido a discursos políticos criaram um ambiente de desconfiança, segundo líderes religiosos.
  • Moisés Blanco ressalta a importância da separação entre Igreja e Estado.
  • Heterogeneidade no segmento evangélico é destacada, com predomínio pentecostal.
  • As redes sociais, especialmente o WhatsApp, desempenham um papel importante na articulação religiosa.
  • Apesar de identificações conservadoras, 79% dos evangélicos apoiam a educação sexual nas escolas e 90% rejeitam o homeschooling, mostrando diversidade de opiniões.

Agência Brasil Evangélicos não aceitam uso político das igrejas nas eleições
Evangélicos não aceitam uso político das igrejas nas eleições

Evangélicos brasileiros resistem à politização de suas igrejas, segundo pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria. Mesmo sendo alvo de disputas eleitorais, 83% dos entrevistados são contrários à indicação de votos por pastores e padres.

O estudo revela que 82% rejeitam discussões políticas durante cultos e missas, enquanto 90% são contra campanhas eleitorais dentro dos espaços religiosos. Esse posicionamento reflete o desejo de manter a religião distante da política partidária.

Apesar da resistência às exageradas intervenções políticas, há uma forte presença de valores e influências religiosas na formação de identidades e pertencimentos, segundo Lívia Reis, pesquisadora do Iser. "A mediação religiosa do voto é mais comum que a transferência direta", afirma Reis.

Lucas Oliveira, pastor de uma igreja batista em Nova Iguaçu, observa que divisões internas causadas por discursos eleitorais nas igrejas resultaram em um ambiente "de pessoas machucadas", afastando fiéis e minando a confiança comunitária.

Moisés Blanco, da Igreja Batista Peregrina em Natal, vê uma reação crescente contra a politização religiosa. Aliado à Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Blanco destaca que a separação entre Igreja e Estado é crucial, resgatando a tradição protestante de liberdade de consciência.

A pesquisa, que entrevistou 15 mil pessoas em 412 municípios brasileiros, também destaca a heterogeneidade do segmento evangélico, representando 29% da população, com predominância pentecostal.

No campo digital, a religião se manifesta fortemente, com 66% dos entrevistados utilizando o WhatsApp para articulação religiosa. As redes sociais ampliam o alcance de influenciadores religiosos, moldando comportamentos políticos fora dos templos tradicionais.

A complexidade do voto evangélico reflete-se também em questões morais e sociais. Apesar de identificações conservadoras, 79% dos evangélicos apoiam a educação sexual nas escolas, enquanto 90% rejeitam o homeschooling. Essas posições apontam para uma maior diversidade de opiniões do que o estereótipo conservador sugere.

Fonte: Agência Brasil