Política

PRONUNCIAMENTO APÓS TOC TOC DA PF

Ciro diz que investigação da PF é “perseguição política” e tentativa de manchar sua honra

Senador Ciro Nogueira se manifestou nas redes sociais após operação da Polícia Federal

Natalia Costa

08 de maio de 2026 às 15:25 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • **Declaração Pública**: O senador Ciro Nogueira afirmou que está sendo perseguido politicamente e que tentam manchar sua honra em ano eleitoral.
  • **Operação Compliance Zero**: Ele é alvo da 5ª fase dessa operação pela Polícia Federal, focada em esquemas de corrupção envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro.
  • **Acusações**: Ciro Nogueira teria recebido "mesadas" que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil de Vorcaro, para manter um alto padrão de vida.
  • **Emenda Legislativa**: É acusada de beneficiar o Banco Master de forma direta, com aumento de limites de garantia.
  • **Defesa do Senador**: Ele nega as acusações, descrevendo as investigações como invasivas e baseadas em trocas de mensagens.
  • **Revisão Histórica**: Ciro já havia enfrentado situações similares sem condenação, mas a atual delação de Vorcaro pode mudar esse cenário.
  • **Impacto Político**: Mesmo sob pressão, Ciro afirma que sairá mais forte politicamente, com apoio público no Piauí.

Ciro Nogueira publicou nota nas redes sociais após ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal | Foto: reprodução
Ciro Nogueira publicou nota nas redes sociais após ser alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal | Foto: reprodução

O senador Ciro Nogueira afirmou que está sendo alvo de perseguição política e declarou que tentam “manchar” sua honra pessoal em ano eleitoral. Ele publicou uma nota oficial nas redes sociais, na tarde desta sexta-feira (8) após ser alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (7).

“Sobre a tentativa de manchar a minha honra pessoal que aconteceu nessa semana, vale lembrar algo: todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu.

Na postagem, o senador relembrou as eleições de 2018, afirmou que já enfrentou situações semelhantes anteriormente e foi inocentado.

“Isso aconteceu comigo em 2018, faltando 15 dias para a eleição. Mas o povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário: crescemos 6 pontos na pesquisa e vencemos aquela eleição. Na primeira tentativa de me parar, o devido processo legal apurou as ilações e mentiras contra mim e ficou comprovada a minha inocência”, declarou.

Ciro Nogueira ainda questionou os impactos das acusações na vida pessoal e afirmou seguir motivado politicamente. “Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons”, publicou.

Decisão de Mendonça expõem mordomias de Ciro Nogueira às custas de Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (7) a quinta fase da Operação Compliance Zero, mas foi o conteúdo de uma decisão de 36 páginas que escancarou os bastidores do que a Polícia Federal chama de "arranjo funcional" entre o poder público e o crime financeiro. O alvo central é o senador Ciro Nogueira (PP-PI) , apontado como o "destinatário central" de um esquema de vantagens indevidas pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso.

Enquanto a defesa do parlamentar classificou as investigações como baseadas em "mera troca de mensagens" , os documentos obtidos pela Corte revelam um nível de intimidade raro entre o líder do Centrão e o banqueiro, detalhando um fluxo de "mordomias" e "mesadas" que ultrapassam a casa dos milhões.

A "mesada" de R$ 300 mil a R$ 500 mil

A investigação conduzida pela PF e chancelada por Mendonça destrincha a engenharia financeira usada para bancar o alto padrão de vida do senador. O esquema girava em torno de uma suposta "parceria" entre a BRGD S.A. , empresa da família Vorcaro, e a CNLF Empreendimentos, ligada a Ciro Nogueira.

Conforme diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro e citados na decisão, a propina começou como uma "mesada" mensal. Em julho de 2024, Felipe Vorcaro (primo de Daniel e operador do esquema) perguntou ao banqueiro: "Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?" . A resposta foi imediata: "Sim" .

No entanto, o valor não demorou a subir. Com o agravamento da crise do Banco Master, o preço do suposto "apoio político" inflacionou. Em junho de 2025, Daniel Vorcaro cobrou o primo: "Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?" . A resposta de Felipe sugere um reajuste, elevando o valor de R$ 300 mil para R$ 500 mil mensais.

Detalhe da Mordomia: A PF também identificou que Vorcaro bancava um estilo de vida de luxo para o senador. Entre os gastos listados estão estadias no hotel Park Hyatt, em Nova York, despesas em restaurantes de alto padrão e até a disponibilização de um imóvel de luxo e um cartão de crédito para gastos pessoais, sem custos para o parlamentar .

A "Emenda Master" e o pacote bilionário

A contrapartida do senador, segundo a PF, veio na forma de uma emenda legislativa que poderia ter salvo o Banco Master da falência. Em agosto de 2024, Ciro Nogueira apresentou a Emenda nº 11 à PEC 65/2023, propondo elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

O problema é que o texto não saiu da cabeça do parlamentar. A decisão de 36 páginas detalha que a proposta foi redigida pela própria assessoria do Banco Master, impressa e entregue em um envelope na casa de Ciro Nogueira. A versão protocolada no Senado foi uma cópia fiel.

A prova do conluio veio na comemoração do banqueiro. Em mensagens, Daniel Vorcaro comemorou: "Saiu exatamente como mandei" , enquanto interlocutores projetavam que a medida "sextuplicaria" os negócios da instituição.

Se as "mordomias" de Ciro Nogueira custaram caro aos cofres do Banco Master, o prejuízo final aos brasileiros é de escala bilionária. A Operação Compliance Zero não investiga apenas a propina, mas o maior esquema de fraudes financeiras da história recente. Ao todo, o rombo ao sistema financeiro do Brasil chega a R$ 56 bilhões.

De acordo com as investigações, o maior escândalo financeiro da história do Brasil envolve políticos, empresários e autoridades de todos os poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário). Ministros do STF e pelo menos seis senadores, dois governadores, deputados federais e outra dezena de políticos estão envolvidos no esquema liderado por Daniel Vorcaro.

Dados apurados mostram que o Banco Master estava à beira do colapso, mas isso não impediu que o Banco de Brasília (BRB) realizasse negociações suspeitas. Investigações apontam que o BRB injetou bilhões em "títulos podres" do Master, resultando em um rombo que pode comprometer o erário. Parlamentares chegam a classificar o caso como o "maior escândalo de corrupção da história do Distrito Federal", com prejuízos estimados em R$ 16,7 bilhões apenas nessa ponta da operação.

Além disso, a proposta de Vorcaro de elevar o FGC para R$ 1 milhão visava exatamente atrair grandes investidores para bancos líquidos, socializando o risco e o prejuízo entre os demais bancos e correntistas do país, caso o Master quebrasse.

O histórico de blindagem e a delação 

A defesa de Ciro Nogueira, comandada pelo renomado advogado Kakay, tentou minimizar as provas, alegando que as medidas são "invasivas" e baseadas em "mera troca de mensagens" . O senador também já havia negado proximidade com Vorcaro.

Entretanto, o contexto atual pode ser fatal para a blindagem histórica que livrou Ciro Nogueira de punições em operações passadas (como a Lava Jato). Diferente das delações da Odebrecht e J&F, que foram questionadas, Daniel Vorcaro está em negociações avançadas para fechar um acordo de delação premiada com a PGR.

Se homologada pelo ministro André Mendonça, a delação de Vorcaro pode fornecer documentos, extratos e conversas que detalhem "cada centavo" das mesadas pagas, abrindo caminho para a primeira responsabilização penal efetiva do senador, que até agora viu os inquéritos serem arquivados pelo STF.

Com a apreensão de celulares e computadores realizada na quinta-feira, a expectativa é que os próximos capítulos desse escândalo revelem se a "engrenagem" do crime financeiro no Congresso será, finalmente, desmontada.

Leia a nota na íntegra:

"Sobre a tentativa de manchar a minha honra pessoal que aconteceu nessa semana, vale lembrar algo:

Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos.
Isso aconteceu comigo em 2018, faltando 15 dias para a eleição. Mas o povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário: crescemos 6 pontos na pesquisa e vencemos aquela eleição.

Na primeira tentativa de me parar, o devido processo legal apurou as ilações e mentiras contra mim e ficou comprovada a minha inocência. Mas fica uma pergunta: quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse?

Suportar esse tipo de pressão só é possível pra quem nasceu pra servir o povo. E eu digo, nada me faz abandonar o povo que confia em mim.
Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons.

Obrigado pelas manifestações de apoio e carinho comigo e com a minha família. Que Deus continue abençoando o Piauí e o Brasil.
Vamos com tudo!

Atenciosamente,

um cidadão completamente indignado
Senador Ciro Nogueira"


Fonte: Redes Sociais



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