INTERFERÊNCIAS
Da Redação
15 de outubro de 2026 às 14:08 ▪ Atualizado há 1 hora
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que vai denunciar a Meta à Organização dos Estados Americanos (OEA) por suspeitas de interferência nas eleições brasileiras e possível favorecimento à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa foi anunciada na quarta-feira (14) pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha petista, que também informou que o caso será levado à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A equipe de Lula afirma ter identificado problemas na distribuição de conteúdos políticos e no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial das plataformas da empresa, responsável pelo Instagram, Facebook, WhatsApp e Threads.
As ocorrências são apontadas pela campanha como possíveis indícios de tratamento desigual entre os candidatos, mas ainda não há comprovação pública de que tenham sido provocadas deliberadamente para beneficiar um dos lados da disputa.
Campanha relata restrições em publicações e imagens geradas por IA
Entre os episódios apresentados pela equipe de Lula estão dificuldades para produzir imagens favoráveis ao presidente por meio da inteligência artificial da Meta, enquanto solicitações semelhantes envolvendo Flávio Bolsonaro teriam sido atendidas.
Segundo Camilo Santana, a campanha recebeu mais de 2,5 mil relatos relacionados a esse tipo de problema nos três dias anteriores ao anúncio. A equipe também aponta publicações que teriam perdido alcance, conteúdos com dificuldades de compartilhamento, limitações na interação com stories e falhas na veiculação de anúncios.
As reclamações envolvem diferentes funcionalidades das plataformas e, segundo os petistas, podem comprometer a divulgação de mensagens eleitorais em um momento decisivo da campanha presidencial. A equipe pretende reunir os episódios em um relatório para apresentar às autoridades e a representantes internacionais.
A campanha também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir providências sobre as restrições relatadas. Entre os questionamentos apresentados está a possibilidade de os sistemas da empresa estarem aplicando critérios diferentes a conteúdos relacionados aos dois candidatos.
Além da representação à OEA e do acionamento da ANPD, a equipe de Lula pretende apresentar as informações a observadores internacionais credenciados pelo TSE para acompanhar as eleições brasileiras.
Segundo as informações divulgadas pela campanha, o material já foi compartilhado com representantes de organizações e partidos de mais de 12 países. A iniciativa busca ampliar a discussão sobre o papel das grandes empresas de tecnologia na circulação de informações políticas e na igualdade de condições entre candidaturas.
O caso também ocorre em meio a outros questionamentos sobre a atuação das plataformas digitais durante o segundo turno. A campanha petista acionou a Justiça Eleitoral em relação à rede social X, por suspeitas de restrições a publicações favoráveis ao presidente.
A equipe de Lula argumenta que eventuais limitações no alcance de conteúdos podem afetar a comunicação com os eleitores e pede que as autoridades apurem as ocorrências.
Meta reconhece falhas, mas nega favorecimento
Em manifestação divulgada na terça-feira (13), a Meta reconheceu problemas técnicos envolvendo anúncios e publicações relacionados à campanha de Lula, mas negou que seus algoritmos tenham viés ideológico ou sejam utilizados para favorecer candidaturas.
A empresa afirmou que parte dos problemas relatados estava relacionada a falhas técnicas e contestou a interpretação de que as ocorrências representariam uma ação deliberada para prejudicar o presidente ou beneficiar Flávio Bolsonaro.
Em resposta a questionamentos anteriores, a companhia também declarou que os problemas técnicos não afetaram exclusivamente contas brasileiras ou perfis específicos e sustentou que suas plataformas seguem as normas eleitorais.
A controvérsia deverá ser analisada pelas autoridades competentes. Até que as denúncias sejam apuradas, as alegações de favorecimento permanecem sob investigação e não devem ser tratadas como irregularidades comprovadas.
Fonte: Mídia Ninja
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