DEMOCRACIA EM PERIGO
Por Luiz Brandão
25 de setembro de 2026 às 11:13 ▪ Atualizado há 47 minutos
A estreia ao vivo do podcast Bate-Papo com Notícias, comandado pelo jornalista Luiz Brandão no portal Piauí Hoje, trouxe uma discussão urgente sobre os rumos da democracia brasileira e mundial. Com a participação do professor e cientista político Roberto John, do professor, poeta e ativista cultural Wellington Soares, e do advogado Alexandre Nogueira, o programa debateu os riscos do avanço do fascismo, o esvaziamento das instituições e o papel das grandes empresas de tecnologia e do capital financeiro nesse processo.
Para Roberto John, a democracia está em risco não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina e no mundo. Ele citou o crescimento da extrema direita em países como Argentina, Chile e Uruguai, além de episódios recentes na Alemanha, e apontou os Estados Unidos como mentor desse movimento. "A direita que vemos hoje não é aquela de alguns anos atrás. É uma extrema direita que flerta ou já encarna as ideias do nazifascismo", afirmou.
O advogado Alexandre Nogueira concordou e foi além: "A democracia não morre mais com tanque na rua. Ela morre com o esvaziamento das instituições". Ele destacou que o processo de erosão democrática ocorre de dentro para fora, com ataques ao Supremo Tribunal Federal e a tentativa de deslegitimar o Judiciário, muitas vezes com apoio da grande mídia. "É um movimento global sustentado pelo grande capital, que busca sobrevivência privilegiando as big techs e o setor financeiro", disse.
Religião e política: uma combinação perigosa
Wellington Soares levantou um ponto preocupante: o avanço de teocracias e a influência de igrejas fundamentalistas na política. "Boa parte do eleitorado que apoia a extrema direita vem dessas igrejas. Isso é um perigo", alertou. Ele lembrou que o Estado brasileiro é laico, conforme define a Constituição, e criticou declarações de candidatos que prometem consagrar o Brasil a uma religião. "Não dá para conviver com democracia e religião ditando os rumos das instituições", afirmou.
Roberto John complementou citando a obra do escritor português Valter Hugo Mãe, "O Século dos Imbecis", para explicar como o fascismo e o nazismo crescem em contextos de desinformação e dissonância cognitiva. "Eles não inventaram nada, apenas deram nova roupagem ao que já vimos na Segunda Guerra Mundial. Com a internet e as big techs, isso reverbera muito mais", explicou.
O papel das big techs e a dissonância cognitiva
Alexandre Nogueira destacou que as big techs têm um papel central na disseminação de anticonceitos e na manipulação da percepção popular. "É um problema de linguagem, uma dissonância cognitiva muito grande. As pessoas vivem num mundo paralelo", disse. Ele citou exemplos de como a extrema direita captura o imaginário popular com mentiras e discursos emocionais, enquanto candidaturas de esquerda precisam explicar conceitos e provar competência.
Wellington Soares reforçou que a esquerda enfrenta uma dificuldade enorme por não ter o apoio do grande capital. "Enquanto o candidato da extrema direita só precisa mentir e consegue se eleger, a esquerda tem que fazer mobilização popular, digital, explicar conceitos, mostrar que é honesta e competente", comparou.
Cenário eleitoral e pesquisas
O debate também abordou o cenário eleitoral e a confiabilidade das pesquisas. Roberto John afirmou acreditar em um resultado favorável ao presidente Lula já no primeiro turno, com base na mobilização popular vista em comícios. "Os institutos que são contra ou apostam no capital inflam o adversário, mas a realidade se impõe", disse.
Alexandre Nogueira alertou que qualquer resultado apertado pode ser questionado pela extrema direita. "Se o Lula ganhar por uma margem curta, vai abrir muito problema em relação à legitimidade das eleições. Eles já falaram que vão questionar", lembrou. Para ele, a pesquisa espontânea é a mais confiável, pois mede a convicção do voto.
Wellington Soares destacou a importância da pesquisa qualitativa e do tracking para entender o sentimento do eleitorado. "A qualitativa é sensacional, é uma radiografia do candidato. O tracking mostra a tendência diária", explicou. Ele também citou o crescimento de Lula em Minas Gerais e no Nordeste como sinais positivos.

Banco Master e a hipocrisia da direita
O programa também comentou o escândalo envolvendo o Banco Master, citado por Wellington Soares como exemplo da hipocrisia da direita. "Esse banco surgiu no governo Bolsonaro e o dinheiro foi carreado para a família Bolsonaro e seus aliados. Quem colocou na cadeia foi o presidente Lula", afirmou. Alexandre Nogueira acrescentou que tanto Flávio Bolsonaro quanto Alexandre de Moraes tinham contatos com Vorcaro e que a conexão entre eles é o Master. "Não estou imputando crime a ninguém, apenas colocando os fatos", ressaltou.
Discurso de Lula na ONU e soberania nacional
Os participantes elogiaram o discurso do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU, destacando a defesa da soberania nacional e a crítica à desigualdade global. "Ele disse tudo que gostaríamos de dizer. O Lula é o autêntico nacionalista, o autêntico patriota, e não os vendilhões", afirmou Wellington Soares. Alexandre Nogueira destacou que o discurso foi equilibrado e tocou em pontos nevrálgicos sem confrontar diretamente outros países.
A importância do debate
Para os participantes, o Bate-Papo com Notícias cumpre um papel fundamental em um momento de tanta desinformação. "A população está carente desse debate. Precisamos difundir informações para ajudar as pessoas a tomarem decisões", disse Alexandre Nogueira. Wellington Soares reforçou que a esquerda precisa ocupar esses espaços. "Nós trabalhamos com um produto, com a matéria-prima que muitas vezes falta do outro lado: a verdade", concluiu.
O programa vai ao ar diariamente, das 15h às 16h, no canal do portal Piauí Hoje no YouTube, com convidados especiais e temas de relevância nacional.
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