INVESTIGAÇÃO

Chefe da Polícia Civil do Piauí diz que não foi notificado sobre denuncia do MP

Secretário de Segurança Fábio Abreu não foi localizado para comentar o caso.


Delegado Geral Luccy Keiko

Delegado Geral Luccy Keiko Foto: Reprodução

O jornal O Globo publicou nesta segunda-feira (09), matéria que traz acusação do Ministério Público do Piauí (MP-PI) sobre o chefe da Polícia Civil do Estado, delegado Luccy Keiko, apontado como integrante de uma organização criminosa que teria atrapalhado uma investigação sobre grilagem e uso de milícias para expulsar posseiros em Luis Correia, município localizado a 348 quilômetros de Teresina.

Junto com Luccy Keiko, a peça processual aponta como integrante da organização o delegado Eduardo Ferreira, um advogado e dois empresários interessados no terreno de onde os posseiros foram expulsos. Somadas a estas acusações, também pesa contra o grupo processo por improbidade administrativa.

DENÚNCIA

A denúncia do MP-PI aponta que Keiko e Ferreira afastaram o delegado que investigava a grilagem no município, no caso, o delegado Maikon Kaestner foi recambiado para atuar em Buriti dos Lopes, a 301 quilômetros de Teresina e distante 50 quilômetros de Luis Correia. Kaestner possuía provas de que os empresários Francisco Araújo, Luís Nunes Neto e o advogado Apoena Machado integravam o esquema de grilagem no litoral.

Com o potencial turístico que o litoral do Piauí apresenta, terrenos nos municípios de Parnaíba, Luis Correia, Barra Grande, Cajueiro da Praia, outros, tornaram-se visados, fazendo ressurgir a prática da grilagem na região.

Em nota, o chefe da Polícia Civil no Estado, Luccy Keiko, informou não ter sido notificado pelo Ministério Público.

NOTA

A respeito dos questionamentos enviados por Vossa Senhoria, o Delegado Geral de Polícia Civil, Luccy Keiko Leal Paraíba, esclarece que todos os atos praticados pelo Chefe de Polícia Civil respeitam os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, prezando sempre pela probidade administrativa.

Em relação aos processos citados 0000214-69.2019.8.18.0059 e 0800636-11.2019.8.18.0059, até o momento esta autoridade policial sequer foi notificada, tomou conhecimento por meio de inquérito civil público e por meio da imprensa, em flagrante empreitada cujo único interesse que se vislumbra é abalar as excelentes relações entre o Ministério Público e a Polícia Civil do Estado do Piauí.

Haverá, em sede de defesa do Chefe de Polícia, ampla documentação comprobatória da lisura dos atos praticados. Nesta ação movida pelo Promotor de Luís Correia, as acusações contra o Chefe de Polícia não alcançam a verdade dos fatos, o que ficará provado oportunamente.

Ademais, o Chefe de Polícia Civil esclarece: que recebeu com estranheza tal denúncia; que não possui relações de amizade ou inimizade por nenhuma das pessoas investigadas por grilagens de terras; que não é proprietário ou possuidor de terras em Luís Correia; que não avocou inquérito policial nem determinou diligências nessas investigações; que por determinação do Chefe de Polícia, o próprio delegado Maikon Kaestner participou da citada operação contra grilagens de terras no dia 28 de maio; que todas as remoções e designações de servidores seguiram os parâmetros legais, conforme farta documentação comprobatória; que o fato do delegado Maikon Kaestner ter sido designado temporariamente apenas para a titularidade da delegacia de Buriti dos Lopes foi necessário frente a instabilidade do trabalho policial civil naquele município, uma vez que a Delegada titular se encontrava em consecutivas licenças médicas, bem como pelo reduzido contingente de policiais.

Importante ressaltar que a ação proposta pelo promotor de Luís Correia ocorreu após o referido ter sido denunciado pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Piauí junto ao Conselho Nacional do Ministério Público por crime de abuso de autoridade praticado contra o Delegado Eduardo Ferreira. É o que se esclarece.

Luccy Keiko Leal Paraíba

Delegado Geral de Polícia Civil do Estado do Piauí

Secretaria de Segurança do Estado

A reportagem do Portal PiauíHoje.Com tentou contato com o secretário Estadual de Segurança Pública, Fábio Abreu, para comentar sobre o caso, porém o gestor não atendeu tampouco retornou as ligações.

Fonte: Com informações do O Globo

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