CONGRESSO AMERICANO
Por Redação
04 de novembro de 2026 às 14:31 ▪ Atualizado há 32 minutos
A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), poderá aumentar a pressão política sobre o governo do presidente Donald Trump em relação à viagem do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL) ao país. Os democratas conquistaram maioria nas duas casas do Congresso americano, a Câmara dos Representantes e o Senado, e terão mais instrumentos para fiscalizar as ações da administração republicana a partir de janeiro de 2027.
O resultado ganha importância porque, dias antes da votação, um grupo de 25 deputados democratas encaminhou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, cobrando explicações sobre uma possível participação de autoridades dos Estados Unidos na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e em sua entrada no território americano.
A iniciativa foi liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus. Entre os parlamentares que assinaram o documento estão Pramila Jayapal, Rashida Tlaib, Greg Casar, Joaquin Castro e Delia Ramirez.
Os congressistas querem esclarecer se o governo americano concedeu vistos ao senador e a integrantes de sua família, além de investigar se houve apoio diplomático, logístico ou financeiro para viabilizar a viagem, mesmo diante de uma determinação judicial brasileira que restringia a saída do parlamentar do país.
A carta também questiona quando as autoridades americanas tiveram conhecimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), se houve contatos com representantes de Flávio e se recursos públicos foram utilizados para facilitar o deslocamento.
Os deputados estabeleceram 13 de novembro como prazo para o envio das respostas por escrito e também solicitaram uma reunião com representantes do Departamento de Estado.
O que muda com a vitória dos democratas?
Com o resultado das eleições, os democratas passam a controlar as duas casas do Congresso americano. A mudança permitirá que o partido assuma o comando das comissões parlamentares e amplie a fiscalização sobre as decisões do governo Trump, incluindo a convocação de autoridades, a realização de audiências e a abertura de investigações legislativas.
A nova composição, entretanto, só assumirá oficialmente em janeiro de 2027. Até lá, a atual estrutura do Congresso continua em funcionamento.
A vitória também representa uma mudança importante para Trump, que terá os dois últimos anos de seu mandato diante de um Legislativo controlado pela oposição. Segundo a Associated Press (AP), lideranças democratas já indicaram que pretendem utilizar a nova maioria para investigar integrantes da administração presidencial e ampliar a fiscalização sobre possíveis irregularidades no governo.
Entenda a situação de Flávio Bolsonaro
A viagem do senador brasileiro aos Estados Unidos ocorreu em meio a uma investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal. Em 26 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes e proibiu sua saída do Brasil.
A medida foi adotada após a Polícia Federal identificar risco de que o parlamentar deixasse o país. Mesmo com a determinação judicial, Flávio não entregou os documentos no prazo estabelecido.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal em 28 de outubro, os passaportes brasileiros do senador foram cancelados e foi inserido um alerta migratório. A corporação também informou que não havia registro oficial da saída dele pelos postos de controle migratório brasileiros e que investigava as circunstâncias do descumprimento da ordem judicial.
Flávio chegou aos Estados Unidos no dia 28 de outubro, após deixar o Brasil, passando pela Argentina.
A possível participação do governo americano na viagem, entretanto, ainda é objeto de questionamentos dos parlamentares democratas. A carta enviada a Marco Rubio não comprova que autoridades dos Estados Unidos tenham facilitado a saída do senador, mas busca esclarecer se houve participação de órgãos diplomáticos ou migratórios na operação.
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