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SOBERANIA NACIONAL

Em recado a Trump, Lula diz na ONU que "Brasil não cabe no quintal de ninguém"

Presidente criticou interferências externas na América Latina e defendeu soberania e integração entre os países da região

Da Redação

22 de setembro de 2026 às 11:51 ▪ Atualizado há 53 minutos

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  • Lula afirmou na 81ª Assembleia Geral da ONU que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", destacando a soberania dos países latino-americanos frente à influência de grandes potências.
  • Criticou as "tentações hegemônicas" em relação à divisão do mundo em zonas de influência, especialmente sem citar diretamente os Estados Unidos.
  • Reforçou a necessidade de integração regional com parceiros que fomentem o desenvolvimento.
  • Comentou sobre interferências em eleições na América Latina e a importância da população decidir seu futuro, mencionando Venezuela, Nicarágua e o embargo a Cuba.
  • Afirmou que o Brasil está pronto para combater o crime organizado sem a ajuda de forças militares estrangeiras, defendendo a cooperação internacional para controlar o fluxo de armas e dinheiro.
  • Enfatizou a soberania como tema central, ao lado da democracia, multilateralismo e integração regional, no cenário internacional.

ONU Lula
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A declaração ocorreu durante um trecho em que o presidente tratava da soberania dos países latino-americanos, da influência das grandes potências e da necessidade de integração regional.

Ao falar sobre a América Latina e o Caribe, Lula mencionou a proximidade geográfica da região com a maior potência militar do mundo e afirmou que o cenário internacional vive um período de recrudescimento de “tentações hegemônicas”.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento”, declarou.

A fala foi apresentada no contexto das relações entre os países da região e das discussões sobre influência externa. Embora não tenha citado diretamente os Estados Unidos nesse trecho, Lula fez referência à maior potência militar do mundo e criticou a divisão do mundo em zonas de influência.

Lula critica interferência em eleições

Na sequência, o presidente relacionou a discussão sobre soberania à democracia na América Latina. Segundo Lula, os países da região passaram por períodos de regimes autoritários e percorreram um longo caminho para recuperar a participação popular.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, afirmou.

Lula também defendeu que diferenças ideológicas não impeçam a aproximação entre os países vizinhos e afirmou que a população de cada nação deve ter o direito de decidir seu próprio futuro.

Ao citar situações específicas, o presidente afirmou que o povo venezuelano deve decidir seu próprio destino e declarou que a Nicarágua não resolverá seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. Ele também criticou o embargo econômico imposto a Cuba.

Brasil não quer interferência na segurança

A defesa da soberania também apareceu quando Lula falou sobre o combate ao crime organizado. O presidente afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas, mas rejeitou a ideia de transferir a outros países a responsabilidade pela proteção do território brasileiro.

“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, disse.

Lula também afirmou que o Brasil não precisa de forças militares estrangeiras para combater o crime organizado. Em vez disso, defendeu cooperação internacional para interromper o fluxo de armas e dinheiro que financia as organizações criminosas.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, afirmou. Segundo o presidente, essa é a linha da proposta que ele apresentou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos.

Soberania como eixo do discurso

A soberania brasileira foi um dos temas centrais da fala de Lula na ONU. O presidente colocou a defesa da autonomia dos países ao lado de outras questões que considera fundamentais para o cenário internacional, como democracia, multilateralismo e integração regional.

O discurso ocorreu na abertura do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU, ocasião em que o Brasil tradicionalmente é o primeiro país a discursar.

Fonte: Brasil 247