PT do TEXAS
Da Redação
04 de novembro de 2026 às 15:08 ▪ Atualizado há 27 minutos
A ironia política é das mais saborosas. O Texas, estado que Eduardo Bolsonaro escolheu para viver desde fevereiro de 2025 e onde mantém uma rotina de luxo em uma mansão avaliada em cerca de R$ 6 milhões em Southlake, agora tem um senador eleito com o apoio de uma organização cuja identidade visual é praticamente idêntica à do Partido dos Trabalhadores brasileiro.
James Talarico, de 37 anos, é o primeiro democrata a conquistar uma cadeira no Senado pelo Texas desde 1988. Ele derrotou o republicano Ken Paxton — nome apoiado por Donald Trump — em uma vitória histórica que, segundo o The New York Times, fez o estado “talvez nunca mais ser o mesmo”.
A conexão que mais chama atenção dos brasileiros, porém, é outra. Talarico é ligado ao Progress Texas, uma organização de comunicação política sem fins lucrativos fundada em 2010. A entidade usa as iniciais “PT” e uma estrela de cinco pontas em sua identidade visual, com as cores azul e branca. A semelhança com a sigla do Partido dos Trabalhadores brasileiro é inevitável — e rendeu o apelido de “PT azul” nas redes sociais.
Não há qualquer vínculo institucional ou financeiro entre o Progress Texas e o PT brasileiro. Trata-se de uma coincidência visual e de sigla. O Progress Texas é uma entidade independente de mídia e ativismo progressista, sem registro como partido político. Enquanto o PT brasileiro é uma legenda partidária oficial de esquerda, com identidade visual vermelha, o grupo texano atua na comunicação digital e no apoio a candidaturas democratas locais — inclusive a de Talarico.

A vida boa nos EUA pode acabar em breve
Se a eleição de Talarico já cria um cenário curioso para Eduardo Bolsonaro, o resultado das eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) nos Estados Unidos torna a situação ainda mais desconfortável.
O Partido Democrata conquistou maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. Entre os democratas que se reelegeram estão os 25 deputados que já haviam pedido formalmente a deportação de Eduardo e de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A deputada Pramila Jayapal, uma das líderes da cobrança, afirmou que os democratas pretendem investigar a proteção oferecida pelo governo Trump aos irmãos Bolsonaro. As deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus lideraram uma cobrança ao Departamento de Estado sobre a eventual participação americana na fuga de Flávio do Brasil. Robert Garcia, principal democrata na Comissão de Supervisão da Câmara, também solicitou a Marco Rubio documentos sobre a viagem, autorizações migratórias e eventuais gastos federais.
É importante frisar que a deportação não é decidida pelo Congresso. A competência é do Executivo, por meio do Departamento de Estado e do Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos submetidos ao governo Trump. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que a maioria legislativa pode investigar e fazer pressão política, mas não tem o poder de emitir uma ordem direta de deportação.
Ainda assim, o cerco parlamentar aumenta o desgaste político dos irmãos Bolsonaro. Eduardo tem mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo —, e Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Com a maioria democrata no Congresso, a “vida boa” de Eduardo Bolsonaro no Texas — bancada, segundo ele, com “recursos privados” — pode estar prestes a enfrentar seu primeiro grande teste político. E o fato de o estado agora ter um senador eleito por um movimento apelidado de “PT azul” só torna a ironia ainda mais saborosa.
Fonte: Redes
CONGRESSO AMERICANO
ELEIÇÕES EUA
ELEIÇÕES NOS EUA
ACIDENTE AÉREO
ACIDENTE AÉREO
JORNALISTA