Um novo mapeamento detalhado do Serviço Geológico do Brasil (SGB), feito pelo Ministério das Cidades e entregue à Prefeitura de Teresina nesta sexta-feira (27), acende um alerta vermelho para a capital. O Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) identificou que 28 mil moradores vivem em áreas de perigo geo-hidrológico. Ao todo, são 167 áreas de risco, sendo que sete foram classificados como de risco "muito alto", 66 como alto e 94 como de risco médio.
A fragilidade de Teresina tem explicação técnica: a cidade foi erguida entre os rios Parnaíba e Poti, sobre terrenos "moles" e alagadiços. O relatório aponta que o uso histórico de aterros e entulhos para cobrir antigas lagoas criou um solo instável.
Em épocas de chuva, esse terreno pode ceder, causando erosões e colapsos que ameaçam "engolir" a base das moradias. Já nas áreas altas (Noroeste e Sudeste), o perigo são os deslizamentos e a queda de blocos de rocha sobre casas construídas ao pé de paredões.
Vista aérea do bairro Pedro Balzi com destaque para a escavação resultando em um paredão subvertical (Reprodução)
O documento destaca pontos onde a densidade populacional torna o risco ainda mais grave. No Residencial Torquato Neto III (Rua José Miguel Haddad), mais de 8 mil pessoas sofrem com alagamentos constantes. No bairro Lindalma Soares (Rua El Shaday), são 5,7 mil moradores expostos a inundações. As áreas de risco muito alto, que demandam atenção urgente, concentram-se em trechos dos bairros Santa Teresa, Bela Vista, Três Andares, Pedro Balzi e Poti Velho.
Outros bairros em risco alto incluem Angelim e Areias (zona Sul); Mocambinho e Mafrense (zona Norte); Vale Quem Tem e Pedra Mole (zona Leste); além de Itararé e Cidade Nova (zona Sudeste).
Soluções contra as mudanças climáticas
Diante da crise climática global, que torna as chuvas mais torrenciais, o SGB recomenda que Teresina modernize seu sistema de defesa. Isso inclui a instalação de radares meteorológicos para prever tempestades em tempo real e o reforço urgente nos diques e bombas de recalque. O objetivo é que a prefeitura utilize este mapa para priorizar obras de drenagem e, se necessário, o remanejamento seguro de famílias que vivem nos pontos mais críticos da capital.
Confira o documento
Fonte: Ministério das Cidades